sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Quando Goa era "nossa"


1952, Celebrações do quarto centenário

da morte de São Francisco Xavier


Fotos de James Burke


Peregrinos fazendo fila em Goa para tocar o corpo de São Francisco Xavier, em frente à porta da catedral. E, com o corpo de São Francisco Xavier a descoberto, padres levantam caixão para levá-lo ao sarcófago de prata na Catedral de Velha Goa. 1952.

Vista da assistência na Catedral de Velha Goa. E, fila para ver o sarcófago. 1952.



1954, Tensão na fonteira com a India


A suprema estupidez do regime de Salazar na questão da Índia portuguesa consistiu precisamente em não dar aos goeses a oportunidade de livremente se exprimirem – na forma de um Referendo livre e isento – sobre a sua vontade quanto à continuação da presença portuguesa, de uma autonomia muito ampla, da independência plena ou da pura e simples integração na Índia.
Historicamente, a União Indiana não tinha (nem tem) a legitimidade para “libertar” Goa já que nem a cidade, nem Damão, nem Diu faziam de facto parte de uma “Índia” passada ou até mítica que nunca existiu historicamente a não ser depois de 1947. Mas se Salazar tinha razão ao sustentar a ilegitimidade das pretensões indianas não a tinha ao não dar aos locais a opção de escolherem os seus destinos. Nehru admitia que um referendo na Índia Portuguesa poderia dar a vitória à continuidade da presença de Portugal, mas Salazar nunca poderia consentir num referendo em Goa… Desde logo porque isso abriria a mesma hipótese às restantes províncias ultramarinas e até à própria metrópole onde as eleições eram pouco mais que formais e a democracia uma ilusão. Como lançar assim um referendo em Goa se um referendo democrático colidia tão frontalmente com os princípios autoritários do regime? 
(John P. Cann “Contra-Insurreição em África, In Flickr.com)

Manifestantes vindos da Índia para libertar Goa do controle Português, aproximando-se do lado 
indiano da fronteira. E, posto de fronteira na estrada Karwar, vigiado por tropas portuguesas. 1954.

Manifestantes vindos da Índia para libertar Goa do controle Português, aproximando-se vistos do lado 
português da fronteira. E, manifestantes são detidos e revistados pelos guardas portugueses. 1954.

Guarda portuguesa em uma das fronteiras entre Goa e Índia, controlando 
manifestantes. E, tropa portuguesa no quartel-general de Goa. 1954.

Vista de Pam Jim, Nova Goa, capital de Goa e vista do porto de Mormugao. 1954.

Ruinas de igreja do século XVI, e igreja do Bom Jesus, Goa. 1954.

Tropas portuguesas, a assistir a uma missa especial na Igreja 
de Bom Jesus. E, em parada ao lado da igreja. 1954.

Goa, gaths (?) ocidental. 1954.


(fotos James Burke e LIFE Archive) 

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