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sábado, 6 de abril de 2013

A mulher que fazia brilhar as estrelas


Costumes by Edith Head
Texto  de Vítor Pavão dos Santos
Jornal Se7e 4-11-81

 Coisas boas em jornais

«Costumes by Edith Head» é uma das frases de maior prestigio na história de Hollywood. De facto, a grande figurinista, soube aliar a mais elevada qualidade ao maior profissionalismo, com uma versatilidade e um talento difíceis de igualar. Responsável por mais de 500 filmes, desenhou todos os géneros, de ternurentos melodramas a violentos westerns, de movimentadas comédias a apavorantes filmes de terror, de musicais alegres e dramas sombrios, de esplendores bíblicos a sórdidos policiais.

Edith Head (1898-1981). 1955. Hollywood. Allan Grant.


As suas qualidades de trabalho eram lendárias. Entre 1937 e 1942, nunca desenhou menos de 35 filmes por ano. Com rara flexibilidade e profunda compreensão dos temas tratados, demonstrou amplamente como um vestido pode caracterizar uma personagem sem se tornar demasiado notado, mas antes se integrando no conjunto e contribuindo para a criação da atmosfera requerida para cada filme. Sempre simpática, era tão popular entre as  stars,  que procurava se sentissem bem dentro dos vestidos que lhes desenhava, como entre as equipas técnicas, com as quais colaborava estreitamente. No entanto, Edith Head era uma mulher de temperamento forte. Por exemplo, decidiu que o ano do seu nascimento era 1907 e embora toda a gente soubesse que era muito mais velha, nunca se lhe descobriu a idade exacta. Nem agora quando morreu, o segredo foi revelado. Até a conservatória de Los Angeles, onde foi registada, ardeu há muitos anos. E não faltaram línguas maldosas que falassem de fogo posto...
Sabe-se que teve uma boa educação, tirou um curso universitário e casou, com brevidade, com um tal mr. Head, do qual guardou o nome. Em 1923, era professora de Espanhol e estudava arte, à noite, quando respondeu a um anúncio que pedia desenhadores para a Paramount. Como pagavam bem, embora quase não soubesse desenhar não se atrapalhou, pediu alguns desenhos emprestados a uma colega e mediante este expediente apresentou-se a Howard Greer, que era então quem vestia as stars do estúdio, e logo a admitiu. E não se arrependeu, pois ela revelou-se uma grande trabalhadora, com raro talento para aprender os segredos da profissão.
Por isso, em 1927, quando Greer deixou o estúdio, Edith Head estava já tão integrada que foi elevada à categoria de chief designer e primeira assistente do grande Travis Banton, mundialmente famoso pela fantasia delirante, mas de gosto impecável, com que vestia Marlene Dietrich nos filmes de Joseph von Sternberg. Ofuscada pelos triunfos de Travis Banton, a jovem Edith Head desenhava montes de filmes série B, que não davam nas vistas mas lhe iam fornecendo uma enorme experiência.


 Desenhos de Edith Head para Dorothy Lamour no filme Road to Bali (1952).
Encontrados em thesilverscreenaffair.blogspot.pt e bid.profilesinhistory.com

Um sucesso chamado «Sarong»

Acontecia que Banton bebia que se fartava, estava dias e dias sem aparecer no estúdio, era malcriado para toda a gente, só fazia o que lhe apetecia. Como tudo isto começasse a pesar mais que o seu enorme talento, a Paramount, em 1937, não lhe renovou o contrato, oferecendo então o lugar de head designer a Edith Head, que se iria manter à frente do departamento até 1967. Ser sucessora de alguém tão famoso como Travis Banton, não era coisa nada fácil. Os problemas começaram logo com Claudette Colbert, então a maior  star  do estúdio, que detestou os vestidos que Edith Head lhe desenhou para Zaza  (1938) e se recusou a voltar a ser vestida por ela, embora sem razão, pois eram lindos. Melhor andaram as coisas com Mae West, que sabia exactamente aquilo que queria vestir e se deu tão bem com Edith Head que sempre a chamou para os seus filmes. Ainda em 1970, quando fez o seu célebre comeback  em Myra Breckinridge (filme inédito em Portugal), declarou: «Edith Head é a única desenhadora capaz de vestir Mae West como Mae West». E era!
Estávamos em plenos anos 30, na época em que, na Metro-Goldwyn-Mayer, o famosíssimo Adrian dispunha de rios de dinheiro para deslumbrar o mundo com a flamboyance  dos vestidos que desenhava para Greta Garbo, Joan Crawford e Norma Shearer. No entanto, apesar de tal concorrência, Edith Head, num estúdio com muito trabalho e poucos meios, não tardou a impor o seu estilo e a sua aparente simplicidade, conseguindo que os vestidos que desenhava fossem os mais copiados pelas mulheres americanas. E isto era o maior sucesso, pois significava que sabia tornar próximas do público as personagens que vestia.

 Modelos usando vestidos desenhados por Edith Head. 1941. Peter Stackpole.
Fotos de LIFE Archive

Um dia, lá por 1936, enrolou com tal arte um pano estampado à volta de uma rapariga sorridente e lânguida, chamada Dorothy Lamour, que o sarong  se tornou uma moda que durou muitos anos e todos os estúdios copiaram. Mas o boom tremendo de Edith Head chegou em 1941, quando vestiu Barbara Stanwick com uma série de vestidos de cintura alta e influência espanhola, em The Lady Eve (As três noites de Eva). Antecipando-se às modas, como frequentemente iria acontecer, ela dava o sinal de partida para a loucura do south american way,  que dominaria nos States durante a guerra. Mas, para além disso, criava possibilidades insuspeitadas a uma grande star,  que ninguém até então tinha sabido como vestir para a transformar numa mulher sofisticada. Ficaram grandes amigas e a magnífica Barbara Stanwyck nunca mais a dispensou, levando-a atrás de si, durante sete anos, para os vários estúdios em que ia trabalhando, embora a Paramount não gostasse nada de emprestar a sua preciosa costume designer.
Por esse tempo, tinha o estúdio descoberto uma rapariguinha, de aparência adolescente mas cheia de potencialidades. O departamento de penteados deu-lhe uma madeixa sobre o olho, que o mundo inteiro iria copiar. Quanto ao resto, transformar a miúda miope na provocante Veronica Lake, foi obra de Edith Head. E acertou em cheio, como acertou depois com Betty Hutton ou com Paulette Goddard.

Desenho de Edith Head para Hedy Lamarr em Sansão e Dalila  e a própria no filme (1949).
Fotos de flapperdays.blogspot.pt 

O vestido certo na cena certa

Por meados dos anos 40, todas as  stars  disputavam Edith Head, pois sabiam que ela as valorizava ao máximo, sem as afogar num exagerado «decorativismo». Olivia de Havilland atribui-lhe uma boa parte da responsabilidade do seu êxito nos dois filmes em que ganhou o  Oscar  para a melhor actriz do ano:  To Each His Own (Lágrimas de mãe, 1946), onde  atravessava várias épocas e várias idades;  The Heiress (A Herdeira, 1949), onde os seus vestidos 1850 tinham rigor histórico, mas eram «compreensíveis» para o público actual. É a actriz quem afirma: «Cada um dos vestidos desenhados por Edith Head eram sempre perfeitos. Bastava-me vesti-los para me transformar na mulher que tinha de interpretar.» 
De facto, nada desenhado por Edith Head era gratuito, tudo se conjugava para acentuar um determinado momento de um determinado filme. E, no entanto, o seu estilo simples, directo, «jornalístico», beneficiava pouco da súbita riqueza que a II Grande Guerra trouxera à Paramount. É que quando havia superproduções, pensavam sempre para as desenhar em alguém mais ligado a coisas espectaculares. Pois se até Cecil B. De Mille, o produtor supremo, trabalhava sempre, dentro da Paramount, com a sua equipa própria. Era um bocado de mais e Edith Head reagiu com violência, e fez muito bem. Por isso, quando De Mille realizou uma das suas obras mais belas e arrebatadas, Samson and Delilah (Sansão e Dalila, 1949), foi ela, integrando-se admiravelmente na grande tradição demilleana, quem inventou aquela inesquecível teoria de caudas, sedas roçagantes, cascatas, para já não falar das penas de pavão, que envolvem Hedy Lamarr. Raramente se terá conseguido algo de mais espectacular. Quem é que dizia que a Head só fazia coisas sóbrias?

Pormenor do vestido de Edith Head para Hedy Lamarr em Sansão e Dalila.
Foto de flapperdays.blogspot.pt


Entretanto, em 1947, em Paris, num golpe mágico que deixou de boca aberta o mundo incrédulo, Christian Dior mudou por completo a silhueta feminina, instaurando o new look. Sempre com medo de que os vestidos dos filmes passassem muito rápido de moda, Hollywood. tentava ignorar essa nova moda. Foi Edith Head quem se atreveu a trabalhar a nova silhueta, equilibrando-a em termos  de cinema. E Bette Davis foi a primeira star a exibir o new look, em  June Bride (Noiva da  Primavera, 1948). E ficou tão chic que nunca mais dispensou Edith Head,  impondo-a quando foi  à Fox fazer All About Eve (Eva, 1950), embora todo o resto do elenco  fosse vestido pelo famoso Charles LeMaire. Na verdade, Bette Davis aparecia perfeita, muito elegante e apenas com uns toques de extravagância, ao interpretar, nesse filme, a temperamental  actriz teatral Margo Channing. Mas melhor para Edith foi vestir uma star como uma star, ou seja, Gloria Swanson como Norma Desmond,  rainha  do cinema mudo, vivendo a  esperança  de um  regresso impossível,  em Sunset Boulevard  (O Crepúsculo dos Deuses, 1950). A personagem podia  prestar-se  aos maiores exageros, mas a figurinista  soube, com imensa subtileza, manter-lhe  a humanidade, dando-lhe apenas os necessários elementos de exotismo e glamour que distinguem uma superstar de um  ser humano. Um triunfo absoluto.

 Desenho de Edith Head para Grace Kelly no filme Ladrão de Casaca (1955) e Grace Kelly.
Fotos de sheris-musings.tumblr.com

A  favorita de Hitchcock

Outra actriz que não dispensava Edith Head era Ingrid Bergman, que a exigiu em Notorious (Difamação, 1946), onde exibia um vestido de veludo negro com um decote de cortar o fôlego. Mas mais importante que a dita dècolletage foi o facto de, nesse filme, Edith encontrar Alfred Hitchcock, que viu nela a colaboradora ideal, inteligente e sóbria, capaz de fazer vibrar uma sensação no momento exacto. Fizeram nove filmes juntos, dois deles com Grace Kelly, cujo tipo distante e um tanto misterioso, mas também, desenvolto, a figurinista ajudou a modelar com grande sabedoria, ajudando a torná-la a mulher famosa que ainda é hoje. Edith Head considerava mesmo como seu trabalho preferido To Catch a Thief (Ladrão de Casaca, 1955). E contava: «Hitch disse-me: Não quero, de maneira nenhuma, cores fortes. Por isso, usei em todo o filme os mais pálidos tons de pastel. Depois, quando ela (Grace Kelly) aparece com o vestido dourado, o climax torna-se assim muito mais eficaz.» Nos anos 50, com a decadência dos estúdios e o enorme decréscimo dos filmes produzidos, Edith Head passou a ter mais tempo para estudar os seus trabalhos. Foi a sua época mais marcante. Até lhe deram oportunidade para desenhar uma passagem de modelos, cheia de cor e imaginação, em Lucy Gallant (Orgulho contra orgulho, 1955); onde uma das suas estrelas preferidas, Jane Wyman, interpretava uma desenhadora de modas. E nunca a primeira Mrs. Ronald Reagan apareceu tão fascinante e sofisticada.

 Desenhos de Edith Head para Audrey Hepburn nos filmes Férias em Roma (1953) e Sabrina (1954).
Fotos de sheris-musings.tumblr.com

Em 1953, a Paramount descobriu uma miúda cheia de espontaneidade, muito esguia e ossuda. Vesti-la foi um dos triunfos de Edith Head, pois em vez de lhe camuflar o seu corpo nada convencional, decidiu acentuá-lo e mostrá-lo tal qual. E assim nasceu, com Audrey Hepburn vestida por Edith Head, em filmes como Roman Holiday (Férias em Roma, 1953) e Sabrina  (1954), um novo tipo de mulher, uma nova beleza. Por isso, embora Audrey Hepburn talvez fique na história da  fashion como a musa inspiradora de Hubert de Givenchy, é bom não esquecer que quem lhe compreendeu o charme e o evidenciou foi Edith Head. Outra star que causou sensação na América, e beneficiou do «tratamento» de Edith Head, foi Sophia Loren, que ela vestiu muitas vezes, mas cuja personalidade definiu admiravelmente em That Kind of Woman  (Uma certa mulher, 1959). Embora trabalhando durante décadas com orçamentos reduzidos, foi ironicamente quando lhe deram possibilidades de desenhar vestidos aos montes para Shirley MacLaine, sem limite de verbas, em What a Way To Go (Ela e os seus maridos, 1963), que Edith Head realizou um dos seus trabalhos mais óbvios e falhos de estilo, embora aparentemente espectacular.

Edith Head e os seus Oscars.
Foto de sheris-musings.tumblr.com


Uma cabazada de «oscars»

Em 1966, quando a Paramount foi absorvida pela multinacional Gulf+Western, todos lamentaram que Edith Head fosse obrigada a abandonar o seu estúdio de tantos anos. Mas ei-la que aparece, triunfante, com um contrato para head designer dos Universal Studios, onde continuaria, desenhando sempre, até morrer, embora parando para fazer conferências, dar aulas nas universidades, e escrever dois livros de memórias:  The dress doctor  e  How to dress for sucess. Numa época em que os verdadeiros profissionais de Hollywood  quase tinham  já desaparecido,  Edith Head fez valer a  sua tremenda experiência, sobretudo na difícil arte de desenhar fatos de  homem. E com tal brilho que, inesperadamente, em 1973, com  The Sting  (A Golpada), o  modo impecável como vestiu, à  moda dos anos 30, Paul Newman, Robert Redford e Robert Shaw, caracterizando com exactidão cada uma das personagens, lhe  valeu  o  seu oitavo Oscar.
Desde que, em 1948, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood  resolveu instituir um Oscar para o melhor costume designer, Edith Head foi distinguida nos seguintes anos:  1949:  The Heiress  (A Herdeira); 1950: All About Eve (Eva) e Samson and Delilah (Sansão e Dalila), nas duas modalidades, respectivamente preto e branco e a cores; 1951: A Place in The Sun  (Um  lugar ao sol);  1953: Roman Holiday (Férias  em Roma); 1954: Sabrina; 1960: The Facts of Life (Coisas da vida); 1973: The Sting  (A golpada). Uma cabazada  de Oscars como mais ninguém tem.

 Desenhos de Edith Head para Bette Davis e Natalie Wood nos 
filmes All About Eve (1950) e (1953) e Inside Daisy Clover (1965).
Fotos de sheris-musings.tumblr.com

O mais curioso é que Edith Head, sempre inultrapassável ao vestir as stars, pouco acertava consigo própria. Quando  se  arranjava para festas, toda decotada e cheia de jóias, com a sua eterna franja e óculos escuros, arrancava boas gargalhadas das sofisticadas que lhe deviam a sua elegância. Chegou mesmo a aparecer nas listas das mulheres mais mal vestidas. Mas ela pouco se ralava. Ligada, desde 1933, ao  art director  Wiard (Bill) Ilheu, com quem casou em 1940, levava uma vida privada pacata e muito confortável, longe da multidão. Gostava de viajar e, em 1952, passou por Lisboa, dando uma saborosa entrevista a «O Mundo Ilustrado», declarando-se encantada com o Museu Nacional dos Coches, dizendo que Carmen Miranda lhe ensinara a dizer «obrigada» para se desembaraçar em Lisboa, revelando ser Balenciaga o seu costureiro preferido (pois quem havia de ser?). E a entrevistadora rematava: «E para terminar, encarregou-nos de dizer às mulheres portuguesas que as achou bonitas e muito bem vestidas.»
Ora digam lá se Edith Head, além de uma grande figurinista, não era mesmo uma simpatia de pessoa?

Texto  de Vítor Pavão dos Santos
Texto e Titulos em
Jornal Se7e
4-11-81

Edith Head preparando o vestido para Grace Kelly no 
filme Ladrão de Casaca. 1955. Hollywood. Allan Grant.
Foto LIFE Archive




sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Bob Willoughby - Fotógrafo


Elizabeth Taylor, Bob Willoughby e Eva Marie Saint durante 
a rodagem de "Raintree County" de Edward Dmytryk. 1957.
Foto encontrada em www.jazzbodyandsoul.co.uk


«Robert Hanley "Bob" Willoughby nasceu em Los Angeles em 1927. Apaixonou-se pela fotografia depois de receber uma câmara como presente de aniversário aos 12 anos. Bob Willoughby estudou fotografia na Escola de Cinema na Universidade do Sul da Califórnia e trabalhou com o designer gráfico Saul Bass . Entre 1948 e 1954, as suas fotografias de músicos de jazz e dançarinos levou-o a um contrato com Globe Photos. Mais tarde, trabalhou para a revista Harper's Bazaar, onde as suas fotografias ilustraram artigos de arte e cultura. A sua grande oportunidade veio quando ele foi designado por seis revistas diferentes para fotografar Judy Garland durante as filmagens de A Star is Born (1954). Posteriormente, ele foi contratado pela Warner Brothers para fotografar a seqüência, "Born in a Trunk" do mesmo filme.


Judy Garland por Bob Willoughby. 1954.


 Esta foi a primeira vez que um estúdio de cinema contratou um fotógrafo especial para tirar fotos para a venda de revistas. O resultado foi uma capa da revista LIFE Magazine, com um retrato em close-up da cantora e actriz. Em 1963, Willoughby construiu a primeira câmara de controle remoto, para uso no estúdio de fotografia. Isso levou a outras inovações que lhe permitiam tirar fotografias iguais às de filme. Bob Willoughby continuou a fotografar durante o resto da sua vida. Morou na Irlanda durante 17 anos, onde usou as suas técnicas fotográficas para ilustrar textos da antiga poesia irlandesa com fotos do campo. Foi autor de livros sobre fotografia e outros assuntos. Os seus últimos anos foram passados em Vence, na França, onde continuou uma vida activa profissional, vindo a falecer em 2009.» (Fonte: wikipedia)


Cole Porter. 1954.


 Jack Lemmon. 1966.


 James Dean. 1955.


Edith Head. 1960.


John Wayne. 1971.


Otto Preminger. 1957.


Rock Hudson. 1954. 


Shirley MacLaine. 1959.


Vincent Price. 1958. 


Vincente Minnelli, Gene Kelly e Eric Carpenter. 1954.



(Fotos da National Portrait Gallery, Smithsonian Institution, www.si.edu)
(excepto a primeira foto e a capa da LIFE)




domingo, 10 de junho de 2012

Os 10 Mandamentos - Fotos da rodagem

The Ten Commandments (1956)


um filme de

Cecil B. DeMille


Fotos da rodagem por Ralph Crane, 1955


Charlton Heston é Moisés em The Ten Commandments (Os Dez
 Mandamentos, 1956). O que está por trás dele é cenário.


Produtor e realizador norte-americano, Cecil Blount DeMille nasceu a 12 de Agosto de 1881, na pequena cidade americana de Ashfield. Ainda adolescente, entrou para a Academia de Artes Dramáticas de Nova Iorque, tendo feito a sua estreia como actor em 1900. Em 1913, juntamente com Samuel Goldwyn e Jesse Lasky, fundou os estúdios Paramount, tendo marcado a sua estreia na realização com The Squaw Man (O Exilado, 1914). Torna-se o rei do cinema mudo, produzindo e realizando uma média de vinte e cinco filmes por ano. Durante este período, especializou-se em filmes épicos de natureza histórica e bíblica. Entre os mais célebres, contam-se The Cheat (A Marca de Fogo, 1915), Joan, The Woman (Joana D'Arc, 1917), The Ten Commandments (Os Dez Mandamentos, 1923), The Volga Boatman (O Barqueiro do Volga, 1926) e The King Of Kings (O Rei dos Reis, 1927). Com o advento do cinema sonoro, De Mille não voltou costas à inovação, conferindo maior espetacularidade às suas obras. Filmou Cleopatra (Cleópatra, 1934) com Claudette Colbert, The Crusades (As Cruzadas, 1935), com Loretta Young, e Union Pacific (Aliança de Aço, 1939), um western sobre os primórdios dos caminhos de ferro nos Estados Unidos da América, com Barbara Stanwick e Anthony Quinn. Com o aparecimento da cor, as grandes produções de De Mille ganham ainda maior espetacularidade. Volta aos épicos bíblicos com Sansom and Delilah (Sansão e Dalila, 1949), onde dirigiu Victor Mature e Hedy Lamarr e, em 1952, venceu os Óscares nas categorias de Melhor Filme e Melhor Realizador com The Greatest Show On Earth (O Maior Espetáculo do Mundo), uma obra sobre o mundo circense e que contou com Charlton Heston e James Stewart. A sua obra final foi talvez a mais célebre e a que teve maior projecção comercial, um remake de The Ten Commandments (Os Dez Mandamentos, 1956), que contou com uma verdadeira parada de estrelas - Charlton Heston, Yul Brynner, Edward G.Robinson, Anne Baxter e Vincent Price. Os efeitos especiais utilizados na execução deste filme épico foram revolucionários para a sua época, sendo inesquecíveis as cenas da marcha pelo Mar Vermelho e a entrega dos Dez Mandamentos a Moisés. Morreu a 21 de janeiro de 1959, em Hollywood. (In, www.infopedia.pt)

 Cecil B. DeMille no deserto a dirigir cenas de 
Os Dez Mandamentos. Egipto, Novembro, 1955.


Uma das mais belas histórias da Bíblia obteve, no ano de 1956 e graças à ambição sem limites de Cecil B. DeMille, a sua melhor adaptação cinematográfica de que há memória. (...) O argumento, escrito a quatro mãos (Æneas MacKenzie, Jesse Lasky Jr., Jack Gariss e Fredric M. Frank) consiste num exercício de escrita assaz prodigioso, que possibilita uma metragem de aproximadamente 220 minutos a partir de uma história que, nas sagradas escrituras, se resume em poucas páginas. Um dos maiores encantos da obra reside, precisamente, nesses instantes maravilhosos em que a eloquência das declamações, embebida na poética dos evangelhos e protagonizada tanto pelos actores como pelo narrador, nos arrebatam por completo. A magnífica banda sonora de Elmer Bernstein constitui, também, uma das dádivas maiores da obra. No momento da travessia do Mar Vermelho, então, e juntamente com a espectacularidade dos revolucionários efeitos especiais (John P. Fulton), possibilita um clímax absolutamente deslumbrante, impressionante e apoteótico, que se estende até ao episódio do forjamento dos dez mandamentos.


 Cecil B. DeMille no deserto a dirigir as tropas e os figurantes. Egipto, Novembro, 1955.


Os valores de produção são verdadeiramente monumentais: não só os já referidos efeitos especiais, mágicos e notáveis ao logo de toda a obra, como os cenários (Hal Pereira, Walter H. Tyler, Albert Nozaki, Sam Comer, Ray Moyer) que, do mais ínfimo pormenor ao mais imponente e vistoso ídolo de um Egipto no seu máximo esplendor arquitectónico, são de um trabalho majestoso e extraordinário, capaz de justificar, por si só, o valioso orçamento da obra. O guarda-roupa (Edith Head, Ralph Jester, John Jensen, Dorothy Jeakins, Arnold Friberg) é rico, luxuoso e exuberante, com uma panóplia de corte e costura notável! Desfilam as mais variadas cores e texturas, enchendo o ecrã de uma pura beleza visual.


 Cecil B. DeMille confraternizando com figurantes que o presentearam com um Yodel (forma de cantar que envolve cantar uma nota prolongada que muda rapidamente e repetidamente) egípcio da Alegria. Egipto, Novembro, 1955.


Ainda que nem sempre o DeMille-realizador esteja na sua melhor forma, nomeadamente na primeira parte da obra em que o ritmo e a dinâmica se tornam, por vezes, um tanto ou quanto fastidiosos, e o movimento de câmera não se encontra particularmente inspirado, é na segunda parte que o filme ascende a um patamar superior, culminando nalgumas das cenas mais memoráveis da História do Cinema e que povoam, certamente, o nosso imaginário. A direcção de centenas de figurantes e a própria direcção de actores revela-se inequivocamente magistral: Charlton Heston como Moisés, Yul Brynner como Ramsés II ou Anne Baxter como Nefretiri são papéis deveras excepcionais.


Cecil B. DeMille passeando na frente da sua tenda à espera, para filmar uma cena que envolvia gansos, patos, tendas e figurantes. Egipto, Novembro 1955. 


Reprovável em toda a história só mesmo a egocêntrica contradição moral que é condenar a autoridade déspota e assassina do Faraó e, com a mesma facilidade, glorificar a fé em Deus, ele próprio uma entidade monstruosa e autoritária, que dizima inocentes sem qualquer dó ou piedade. Mas enfim, contradições bíblicas às quais o filme não conseguiu fugir. Independentemente desse aspecto, fica a memória de um épico não só grandioso como megalómano, naquele que foi um dos momentos altos do cinema de Hollywood. 
(In, cineroad.blogspot.pt)


 Cenas da partida para o deserto.  Egipto, Novembro 1955. 


  Cenários no deserto para o filme, Os Dez Mandamentos. Egipto, Novembro, 1955.

Cecil B. DeMille, chegou a sofrer um ataque cardíaco durante as filmagens. Ele ficou alguns dias afastado das filmagens, mas logo retornou ao trabalho, contrariando a orientação dos médicos. Egipto, Novembro, 1955.

Figurantes do filme, voltando para casa após um dia de filmagens. Egipto, Novembro, 1955.


(Fotos de Ralph Crane e da LIFE Archive)


quarta-feira, 21 de março de 2012

Profissionais de Cinema


Fazer Cinema é um trabalho colectivo, e um dos aspectos fundamentais para o sucesso de um filme é a escolha adequada de quantos e quais os profissionais que irão compor a equipa de filmagem. Cada um é responsável pelo filme tanto quanto o outro, o bom andamento de um filme depende menos do preparo técnico da sua equipa do que da boa vontade de todos em fazer o melhor.


O director de efeitos especiais John Fulton num tanque com um modelo de veleiro, Hollywood, 1956.


O director de fotografia James Wong Howe, com o seu "animal", a câmara VistaVision.


Dimitri Tiomkin a dirigir a musica para o último filme de James Dean "Giant", 1956. / Dmitri Tiompkin ao piano trabalhando na música para o filme "Giant", 1955.


O editor Dan Mandell posando com um rolo de filme, Hollywood, 1956. / A figurinista Edith Head, verificando um tecido em seu estúdio, Hollywood, 1955.




O director artistico Cedric Gibbons posando para a fotografia em Hollywood, 1956. / O director artístico Cedric Gibbons trabalhando nos seus projectos, Hollywood, 1943.


Grupo de técnicos de som no Walt Disney Studio em Hollywood produzindo sons para um filme, 1938. /  Charles Riesner dirigindo um filme, enquanto a equipe de produção assiste à cena, 1943.


Piquetes em frente á porta da Paramount Studios durante uma greve, 1945. / Cartazes em várias línguas durante uma greve na Paramount Studios, 1945.


Panos de fundo (telões) que estão sendo pintados para um filme da MGM, 1943. / Uma multidão de figurantes á espera de entrar nos estúdios da MGM, 1943.


Adereços em miniatura usados durante as filmagens do filme A Guy Named Joe de Victor Fleming, 1943.



(fotos LIFE Archive)