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quarta-feira, 1 de maio de 2013

Rio Bravo e a Guerra dos sexos

Rio Bravo de Howard Hawks 
Fotos de Allan Grant - 1958


Howard Hawks avaliando uns collant's com Angie Dickinson 
e John Wayne, durante as filmagens de Rio Bravo. 1958.


Guerra dos sexos
Texto de
Manuel Cintra Ferreira

Coisas boas em jornais

Angie Dickinson tomando banhos de sol durante as filmagens de Rio Bravo. 1958.

Há quem defenda a tese de que Howard Hawks apenas fez comédias ao longo da sua carreira de cineasta. Se nela é difícil encaixar filmes como A Grande Ofensiva, Terra de Faraós e, principalmente, A Vida é.. o Dia de Hoje, já o mesmo não se passa com os seus «westerns», onde as relações entre homem e mulher reproduzem as que têm lugar nos filmes «reconhecidos» como comédias, Duas Feras, Fizeram-me Passar por Mulher, Bola de Fogo, etc.

Howard Hawks dirigindo John Wayne e Angie Dickinson em Rio Bravo. 1958.

O caso mais flagrante é exactamente o «western» mais famoso de Hawks, este genial Rio Bravo. Aqui encontramos todos os «equívocos» que marcam aquelas comédias, mais ou menos camuflados pelas relações de amizade entre os homens. Rio Bravo é, antes de mais, a história de uma «conquista», a do irrascível e misógino John T. Chance (John Wayne) pela glamorosa «Feathers» (Angie Dickinson), em que ela se serve de tudo (golpes «altos» e «baixos») para levar a água ao seu moinho. Chance vai-se deixando «levar», com gosto finalmente, mas nem por isso de forma menos renitente. 

John Wayne e Angie Dickinson em Rio Bravo.

O que há, antes de mais, e permanece subjacente a essa «submissão» é a desconfiança em relação à mulher que todo o herói de Hawks manifesta. Desconfiança que deriva de feridas pessoais que alguma lhe provocou ou que testemunha num seu amigo, neste caso, Dude (Dean Martin) conhecido como «El Borrachón», por se entregar à bebida depois de abandonado pela mulher que amava (o filme começa com uma espantosa sequência de pelo menos 5 minutos sem palavras, que apresenta Dude no máximo da degradação). Se relação «fiel e verdadeira» aqui existe é a que une Chance e Dude, cada um capaz dos maiores sacrifícios pelo outro (inclusive a própria segurança e vida, quando Dude fica refém dos pistoleiros). Todos os encontros de Chance com Feathers se colocam sob o signo da provocação, que é também, neste meio especial dos personagens hawksianos, a forma de se manifestar admiração, amizade e, mais tarde, o amor. 

Howard Hawks dirigindo John Wayne e Angie Dickinson em Rio Bravo. 1958.

O primeiro encontro dos dois é um dos mais cómicos «gags» do cinema de Hawks, e uma irresistível brincadeira tipicamente hawksiana com a imagem viril de John Wayne (Feathers entra no quarto e surpreende o hoteleiro com as calcinhas de renda da mulher na mão, em frente à cintura de Chance, e quando se despede grita-lhe, «Sheriff, esqueceu-se das calças»!, perante o embaraço dele). E o último é praticamente a rendição incondicional de Chance. De facto o «duelo» Chance-Feathers talvez seja o verdadeiro confronto de Rio Bravo, vindo sobrepor-se à amizade Chance-Dude (este começa a afastar-se quando a relação entre os outros dois adquire uma forma mais íntima). A volta dele tem lugar o conflito clássico do «western», com a cidade ameaçada por um poderoso rancheiro que quer libertar o irmão acusado de assassínio, numa série de acções que são outras tantas provas que os personagens têm de passar para a resolução de todos os conflitos.

Guerra dos sexos
Texto de Manuel Cintra Ferreira
em Expresso, 24 Agosto 96


Howard Hawks dirigindo Angie Dickinson em Rio Bravo. 1958.

Howard Hawks dirigindo Angie Dickinson em Rio Bravo. 1958.

Howard Hawks dirigindo John Wayne e Angie Dickinson em Rio Bravo. 1958.


(Fotos de Allan Grant e LIFE Archive)


terça-feira, 20 de novembro de 2012

The Thing ou A Coisa



Christian Nyby (1913-1983)

«American director of occasional films» é o que os menos lacónicos dizem dele. Mas um desses «occasional films» foi The Thing, versão de 51. Feito para Hawks, ou no lugar de Hawks? Tudo leva a crer que no lugar de Hawks e para Hawks. O próprio realizador não contradiz essa versão, embora tivesse sido naturalmente discreto. E recordo-me de ter visto Young Fury, de 65 (com Rory Calhoun, Virginia Mayo, Lon Chaney Jr., John Agar, Richard Arlen, quando todos «estes» já eram «decrépitos» e de o ter achado um «thriller» bem curioso. Do resto não sei. Quem é Nyby?
(João Bénard da Costa na entrada do dicionário do Catálogo do Ciclo de Cinema de Ficção Cientifica. 1985.)


Preparação da cena do fogo: James Arness (The Thing) em A Ameaça (Thing 
from Another World, 1951) de Christian Nyby. 1951. Allan Grant, LIFE Archive.


The Thing from Another World (A Ameaça, em Portugal) é um filme de 1951 de ficção científica, dirigido por Christian Nyby e produzido por Howard Hawks (dizem que também deu um mãozinha na realização). Baseado em um conto de John W. Campbell Jr., escritor de ficção científica. O conto, de nome Who Goes There! (Quem está aí?), foi publicado em agosto de 1938, na revista Astounding Stories. A Ameaça, conta-nos a história dum grupo de cientistas e militares que estão a fazer um estudo numa base no Alasca, quando se deparam com algo insólito: uma nave extra-terrestre. Após ser retirada do gelo e o seu habitante (aparentemente) morto ser levado para a base, eles decidem estudar o ser. Até que descobrem que não está morto. Tenta-se contacto amigável com o ser, agora descongelado e andando livremente pela base, mas ele se revela hostil e anti-social ao extremo, interessado nos seres humanos apenas como seu alimento. Ferido algumas vezes, logo revela sua capacidade de regeneração e reprodução.


Preparação da cena do fogo: James Arness (The Thing) em A Ameaça (Thing 
from Another World, 1951) de Christian Nyby. 1951. Allan Grant, LIFE Archive.


O produtor Howard Hawks e o realizador Christian Nyby, apresentam um filme de ficção científica com um bom argumento e uma excelente direcção de actores. O "Alien", está muito bem conseguido, sendo uma presença assustadora. The Thing From Another World tornou-se um clássico e um verdadeiro marco da ficção científica dos anos 50. Lançado na época da Guerra Fria, da caça às bruxas e pós-bomba atómica, o filme repercute o medo do comunismo e mostra os cientistas negativamente, como pessoas preocupadas apenas com o conhecimento, sem se importarem com consequências. No final, uma frase em sinal de advertência ao público: Watch the skies (Vigiem os céus!). 


Preparação da cena do fogo: James Arness (The Thing) em A Ameaça (Thing 
from Another World, 1951) de Christian Nyby. 1951. Allan Grant, LIFE Archive.


Em 1982, John Carpenter realizou um remake, The Thing (Veio de Outro Mundo), que na altura da estreia foi um grande fracasso de bilheteira, mas que, com o passar dos ano, tornou-se um filme admirado e um verdadeiro objecto de culto. O "The Thing" de Nyby/Hawks, é diferente do "The Thing" de John Carpenter. No primeiro, o medo é gerado, sobretudo, na ausência da imagem do "Alien". No remake de Carpenter, o "Alien" é encarado/mostrado pela câmara e só se torna perigoso quando se instala no organismo dos cientistas, colocando uns contra os outros. A imagem do inimigo vai-se confundindo progressivamente com a imagem do homem, mesmo do melhor dos homens. (Fontes: wikipedia.org, www.travessa.com.br e cinedrio.blogspot.pt)


James Arness (The Thing) em chamas no filme A Ameaça (Thing from Another 
World, 1951) de Christian Nyby. 1951. Foto de branduponthebrain.tumblr.com



A cena do fogo em The Thing from Another World, 1951 de Christian Nyby.



Who Goes There!

Tudo começa com uma simples pergunta: Quem está aí? Esta pequena novela de ficção científica de John W. Campbell, Jr., tornou-se a inspiração para o filme The Thing From Another World, de Christian Nyby e Howard Hawks (1951), que se tornou um enorme sucesso. Em 1982, John Carpenter fez um remake, The Thing. Não foi um sucesso e não fez muito dinheiro, mas o filme ainda hoje é conhecido como um dos melhores filmes de terror de sempre.



Original vs Remake, "mostra" as diferenças e semelhanças entre o velho e o novo. E o filme é A Ameaça (1951) e Veio do Outro Mundo (1982). É Nyby/Hawks vs Carpenter. The Thing vs The Thing. Textos e edição de Jasper ten Hoor (TheSpringwoodSlasher), in youtube. Uma brincadeira encontrada no youtube.


Cartazes do dois "The Thing", encontrados na net.



sexta-feira, 20 de julho de 2012

A rainha do technicolor

Maureen O'Hara
por
Manuel Cintra Ferreira

Coisas boas em jornais


Maureen O'Hara. Foto sem data encontrada em www.tumblr.com.

Segundo Howard Hawks, inspirando-se em Anita Loos, Os Homens Preferem as Loiras. Passava-se isto em 1953 e a loira era mesmo uma inspiração, Marilyn Monroe. Dois anos depois, Richard Sale, pondo a tónica em Jane Russell, acrescentava, também segundo a mesma escritora que, sim senhor, é verdade, mas... de facto... os Gentlemen Marry Brunettes, que a distribuição portuguesa, sem fazer a ligação (e tirar a «moral» de Loos) e querendo aproveitar-se do sucesso do filme anterior, baptizou, muito prosaicamente de Os Homens Preferem as Morenas. Aí estavam, portanto, nos títulos originais, as «casadoiras» e as «outras» (as tais «loiras»). Então, e as ruivas? Pois, as ruivas! Da fama de perigosas e ariscas não se livravam.
   Em termos cinéfilos, a fama tinha a sua razão de ser nalgumas ruivas que perturbavam a libido masculina nas salas escuras, destacando-se uma, de pêlo na venta, mangas arregaçadas e pronta para uma boa luta em pé de igualdade com qualquer macho: Maureen O’Hara. E geralmente esse macho era nem mais nem menos do que John Wayne. O par andou a medir forças ao longo de três filmes sob a batuta de mestre John Ford (Rio Grande, O Homem Tranquilo e A Águia Voa ao Sol), e mais dois de um mau discípulo, Andrew V. McLaglen (McLintock, que até é o melhor que o filho de Victor McLaglen realizou, e um breve encontro do par já «maduro» em Eu Julgava-o Morto Mr Jake!), com altos e baixos, passou pela separação e reconciliação em Rio Grande, onde os Sons of the Pionneers lhe fazem uma das mais belas serenatas que se ouviram na tela com a canção popular «Kathleen» (Oh Kathleen, My Kathleen!), e enfrentou-se no maior «corpo-a-corpo» da história do cinema, em OHomem Tranquilo («homérico!», como diria Barry Fitzgerald no filme, e quem o viu sabe ao que ele se refere), uma daquelas histórias que nos põem em estado de euforia, e que nos mostra o mais belo beijo cinematográfico que o próprio «Extra-Terrestre» (no filme de Spielberg) não resistiu a imitar. John Ford dirigiu a sua actriz favorita em mais dois filmes, dando-lhe galãs mais maleáveis e destinados à faceta «maternal» que as suas «fúrias» escondiam: Walter Pidgeon em O Vale Era Verde e Tyrone Power em Uma Vida Inteira.


Maureen O'Hara. Foto sem data encontrada em farm2.staticflickr.com.

Pois foi Maureen O’Hara a minha primeira paixão infanto-juvenil. Na altura eu estava naturalmente a leste das implicações do que atrás referi. Mais do que qualquer manifestação edipiana ou reflexo para a passividade, talvez se tenha tratado de um mero acaso: foi a primeira que se me fixou na retina e nas meninges, e logo num filme que salientava já aquelas características: O Terror dos Sete Mares. Feliz acaso, proporcionado por um costume dos velhos cinemas de bairro de Lisboa: o de por vezes exibirem em complemento (eram os tempos das sessões duplas), filmes «a pedido de várias famílias». O filme de Frank Borzage, já velhinho naquele tempo, e em cópia que deixava a desejar lá surgiu em complemento do filme que me levava ao cinema: A Gata Borralheira de Disney. O Terror dos Sete Mares fez-me nascer duas paixões: a referida ruiva e os filmes de piratas. Só mais tarde percebi que, afinal, as duas estavam ligadas. Pois os «sete mares» eram um segundo «habitat» para Maureen O’Hara, que já andara pelas mesmas andanças no magnífico O Pirata Negro e seria uma perfeita rainha de piratas em No Reino dos Corsários, enfrentando, de espada na mão, o campeão masculino Errol Flynn. Nestas andanças, de espada (Os Filhos dos 3 Mosqueteiros) ou pistola (No País dos Comanches, A Última Avançada) na mão, pelas planícies do Oeste, sobre o mar, ou envolvida nos véus transparentes das fantasias orientais (Sinbad, o Marinheiro, Bagdad, Chama da Arábia), surgia-nos pintada com a paleta mágica do Technicolor, num tempo em que cor rimava com esplendor, fazendo parte de um friso que ficou conhecido como as «rainhas do Technicolor», formado por ela, Yvonne De Carlo, Maria Montez, Virgínia Mayo, e outras. Mas rainha, rainha mesmo, só uma: Maureen O’Hara.
   E é assim que a recordo.

Manuel Cintra Ferreira em Expresso, 15 de Julho de 2006



Maureen O'Hara em Lady Godiva (1955) de Arthur Lubin. 
Foto encontrada em fx.worth1000.com.




 Maureen O'Hara, em cinco filmes de John Ford.


Maureen O'Hara, também fez este filme de Ray Milland (1956) e muitos mais claro.


(Cartazes dos filmes encontrados na net)



sábado, 22 de outubro de 2011

HOWARD HAWKS, O FARAÓ


«Nos anos cinquenta o “cinemascope” invadia o cinema, perante a ameaça da televisão, e apesar de Howard Hawks nunca se ter sentido fascinado por este formato acabaria por, também ele, fazer o gosto ao dedo em “A Terra dos Faraós” / “Land of the Pharaohs”, contando no argumento com a colaboração de William Faulkner, que um dia encontrara em Paris, convidando-o para escrever os diálogos. Recorde-se que o célebre escritor, teve sempre uma relação difícil com os Estúdios mas Hawks, que o conhecia bem, conseguiu levar a água ao seu moinho. Howard Hawks oferece-nos um filme esmagador, basta ver como nos é dada a construção da pirâmide e as suas armadilhas, utilizando o ”scope” com enorme saber, recorde-se que este foi o único filme que fez neste formato, conseguindo levar ao espectador esse antigo Egipto onde os Faraós reinavam a seu belo prazer.» 
(In, amemoriadocinema.blogspot.com)


reportagem da revista LIFE







(copiado da LIFE Magazine)



sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Grandes Realizadores 2

Uns muito Bons, Outros Assim Assim


 Jerry Lewis fazendo caretas a Norman Taurog durante as 
filmagens de The Stooge, (O Estoira-Vergas). 1951. Allan Grant. 

Preston Sturges (no chão) dirigindo os actores Harold Lloyd e Frances Ramsden numa cena 
do filme, The Sin of Harold Diddlebock, (Os Piores Anos da Sua Vida). 1947. Bob Landry.

Sergei Bondarchuk durante as filmagens de War & Peace (Guerra e Paz). 1962. Stan Wayman.

Sam Peckinpah durante as filmagens do filme Major Dundee no Mexico. 1964. Bill Ray.

Richard Fleischer, em traje de mergulho, durante as filmagens 
de As 20.000 Léguas Submarinas. 1954. Peter Stackpole.

Richard Brooks e a Actriz Maria Schell durante as filmagens 
de Os Irmãos Karamazov. 1958. Leonard Mccombe.

Jason Robards e Maria Schell ensaiando uma cena para o filme para TV: For Whom the Bells Toll, 
(Por Quem Os Sinos Dobram) sob a direção de John Frakenheimer (deitado no chão). 1959. ??

Anthony Mann dirigindo Mia Farrow no filme, A Dandy in Aspic. 1968. Bill Eppridge.

Anthony Perkins, Shopia Loren, Burl Ives e o realizador Delbert Man no ensaio 
de leitura para o filme Desire Under The Elms (Desejo). 1958. Ralph Crane.

Howard Hawks dirigindo Angie Dickinson e John Wayne em Rio Bravo. 1959. AllanGrant.


(foto da LIFE Archive)

domingo, 25 de setembro de 2011

Grandes Realizadores

Estes são todos muito bons



 Jean Renoir e Ingrid Bergman nas filmagens de Elena et les Hommes, (Helena e os Homens) 1956. 

 Charlie Chaplin vestido de Charlot, dirigindo um filme em 1915.

 Ernst Lubitsch dirigindo Mary Pickford em Rosita, (Rosita) 1923.

 Josef von Sternberg dando indicações a Janet Leigh naquele 

que foi o seu último filme Jet Pilot (As Estradas do Inferno) 1950.


 Cecil B. De Mille fazendo um sinal sinal positivo para figurantes , que o presentearam com o canto 

egípcio da Alegria no local de filmagem de The Ten Commandments, (Os 10 Mandamentos) 1955.

 Leni Riefenstahl caminhando no meio do Mal, isto é, entre Adolf Hitler e Joseph Goebbels 1937.

Vittorio de Sica com Sophia Loren ao colo durante as filmagens 
de Matrimonio all'italiana (Casamento à Italiana), 1964.

Alfred Hitchcock sentado a assistir á gravação de uma cena do filme Shadow of 
a Doubt (Mentira) 1943, com Joseph Cotten, Teresa Wright, e Henry Travers.

Howard Hawks e Angie Dickinson no filme Rio Bravo (Rio Bravo) 1959, com John Wayne ao fundo.


(Fotos Life Archive)