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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Joshua Benoliel - Teatros e Cinemas


Teatro Fantástico. Ficava na rua Jardim do Regedor e teve vários nomes ao longo da sua existência. Segundo Manuel Félix Ribeiro: Salão Fantástico; Paradis Cinema: Salão Rubi e voltando a chamar-se Teatro Fantástico pouco antes de desaparecer de cena definitivamente (1918?). Início sec. XX.  Joshua Benoliel. 


Animatógrafo Paraíso de Lisboa. Ficava na rua da Palma, perto do Real Coliseu de Lisboa. Por cimo da porta consegue-se ler o nome. Legenda da foto: Homenagem aos mortos da República, o Estado Maior da Armada e forças da Marinha a caminho do cemitério do Alto de São João. 1912. Joshua Benoliel.


Antigo Éden Teatro nos Restauradores. Legenda da foto: Chegada de um raid internacional. 1905. Joshua Benoliel.


Chiado Terrasse ao fundo, visto do Chiado. Legenda da foto: Funeral do embaixador do Brasil, Francisco Regis de Oliveira. 1916. Joshua Benoliel.



Chiado Terrasse. Fotos anteriores a 1911. Joshua Benoliel.


Chiado Terrasse em 1911, já com a torre mais alta e a fachada renovada.
Chiado Terrasse, carro de propaganda. 1911. Joshua Benoliel.


O Salão Ideal (filial). Legenda da foto: Feira de Santos. Na foto consegue-se ler: filial da rua do Loreto. 1915. Joshua Benoliel.


Teatro Júlia Mendes. Legenda da foto: Feira de Agosto no parque Eduardo VII. 1910. Joshua Benoliel.


Teatro Nacional D. Maria. Legenda da foto: Eleições em Lisboa. Regimento de Cavalaria 2. Lanceiros da Rainha defendem a ordem pública. 1908. Joshua Benoliel.


Antigo Cinema Condes. Legenda da foto: Parada militar em honra dos militares vitoriosos da Primeira Guerra Mundial. 1918. Joshua Benoliel.


Rossio Palace no Largo de São Domingos, animatógrafo que existiu no segundo andar do prédio do meio, onde diz: A Casta Joana, que devia ser o nome de uma peça de teatro.  Legenda da foto: Mercado seiscentista, reconstituição de época. Anterior a 1914. Joshua Benoliel.

Segundo Manuel Félix Ribeiro: «Uma particularidade ainda de apontar - frequentes vezes havia, logo após os espectáculos nocturnos normais, sessões especiais com filmes pornográficos...»


Cinema Olympia. Início sec. XX. Joshua Benoliel. 


Teatro D. Amélia. Início sec. XX. Joshua Benoliel. 


Teatro República, antigo D. Amélia. Mudou de nome com a implantação da República em 1910. Posterior a 1910. Joshua Benoliel. 


Salão Central. Legenda da foto: Palácio Foz, legação dos Estados Unidos da América. 1909. Joshua Benoliel.



Teatro da Avenida. Início sec. XX. Joshua Benoliel.


Salão Chiado. Existiu numa das portas dos Grandes Armazéns do Chiado (onde estão as letras pintadas) e durou pouco tempo, tendo desaparecido em 1908. Legenda da foto: Cortejo a caminho do Paço de Belém e das legações dos países aliados, para festejarem o final da Grande Guerra. 1918. Joshua Benoliel.

Segundo Manuel Félix Ribeiro: «...estava instalado na parte do edifício que se situa na Rua Nova do Almada, logo no começo, sensivelmente onde hoje está localizada a secção de brinquedos daquela popular casa comercial.» Nota: Se bem me lembro, a entrada da loja dos brinquedos era a porta tripla, onde hoje existe um hotel.



Teatro da Trindade, entrada principal no Largo da Trindade. 1909/1911. Joshua Benoliel.


Teatro da Trindade, entrada na Rua Nova da Trindade. 1909/1911. Joshua Benoliel.

Construção do Cine-Teatro Éden. Legenda da foto: A delegação do Barreiro desfilando na praça dos Restauradores. 1935-02-10. Não tenho a certeza se esta foto é de Joshua Benoliel. No Arquivo da Torre do Tombo, não dizia a autoria, só que era do Jornal O Século, onde Benoliel trabalhou.


(Fotos do Arquivo Fotográfico da CML excepto a última)



quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Joshua Benoliel e a Ilustração Portugueza


Durante a Greve: O povo assaltando um carro eléctrico. 1912. Lisboa. Joshua Benoliel.


«O fotojornalismo português tem um pai e chama-se Joshua Benoliel. A obra deste pioneiro do jornalismo fotográfico é pouco divulgada e a sua importância nunca enquadrada historicamente de forma a dar-lhe a importância determinante que tem no nascimento de um fotojornalismo português. As suas fotografias são mostradas muitas vezes sem a indicação de que são de sua autoria, como se fossem documentos anónimos, de domínio público, sem autor. A obra de Benoliel está dispersa, muitas das suas chapas de vidro – o suporte com que ele trabalhou predominantemente – partiram-se, sumiram ou foram dadas como cacos inúteis.» 
Luiz Carvalho, foto-jornalista. In, Jornal de Letras 19-07-2005


A caminho do dever: Um adeus carinhoso. 1917. Lisboa. Joshua Benoliel.

Os emigrantes alentejanos: A chegada do vapor que os conduzia á ponte do Terreiro do Paço. 1911. Lisboa. Joshua Benoliel.

«Um fotojornalista não é um «bate-chapas». Isso é evidente em Benoliel. Ele fotografou os principais acontecimentos do seu tempo, mas além do conteúdo, as suas fotografias são esteticamente belas. É isso que aprecio muito na sua obra, sobretudo se pesarmos que na altura não havia máquinas digitais, nem automáticas, as películas eram muito lentas . Fico deslumbrado como é que ele – e outros, embora ele seja um expoente – conseguia fazer aquelas imagens espantosas.» 
Eduardo Gageiro, foto-jornalista. In, Jornal de Letras 19-07-2005

As cheias do Douro: Cais da Ribeira. 1910. Porto. Joshua Benoliel.

A caminho de França: Comprando fruta antes do embarque. 1917. Lisboa. Joshua Benoliel.

No Cais de Caminha: Desembarque de sargaço. 1913. Caminha. Joshua Benoliel.

Tropas portuguesas para França: Acariciando a filha antes de partir. 1917. Lisboa. Joshua Benoliel


«É, para mim, o maior repórter fotográfico do século passado. Benoliel era um homem de visão rápida e de grande sensibilidade artística. Além disso, viveu numa época em que só um fenómeno, um senhor, podia fazer aqueles instantâneos, grandes planos, panorâmicas, cenas de rua, revoluções... 
Fala-se muito dos grandes repórteres fotográficos, após os anos 50, como o Cartier-Bresson, o Frank Capa e outros grandes nomes da Magnum. Mas o Joshua Benoliel trabalhava em condições muito diferentes. Enquanto os fotógrafos depois dos anos 50, trabalhavam com Leicas, objectivas luminosas, sensibilidades rápidas, o Benoliel trabalhava com autênticos trambolhos de fole, pesando quilos, com chapas de vidro, muitas vezes emulsionadas por ele próprio e sensibilidades baixas aliadas a objectivas pouco luminosas. Com esses caixotes, esse homem movia-se por artes que hoje nos parecem mágicas, fotografando instantâneos que hoje nos parece impossível terem sido feitos naquelas condições.» 
João Ribeiro, foto-jornalista. In, Jornal de Letras 19-07-2005


De Espanha para Portugal: Galantaria de Português. 1911. Minho. Joshua Benoliel.

Expedicionários Portugueses: Escrevendo a um camarada uma carta para a família  1917. Lisboa. Joshua Benoliel.

Marinha de Guerra Portuguesa: Preparando um torpedo. 1916. Lisboa? Joshua Benoliel.

A partida para França: Uma despedida afectuosa. 1917. Lisboa. Joshua Benoliel.

Concurso Hipico das Caldas: Salto de sebe por um campino. 1910. Caldas da Rainha. Joshua Benoliel.


Duas capas da Revista Ilustração Portugueza:  O abraço de despedida. 1914. Local desconhecido. Joshua Benoliel. e Fazendo compras na feira. 1909. Local desconhecido. Joshua Benoliel.



ILUSTRAÇÃO PORTUGUESA – Foi lançada pela Empresa do jornal O Século em Novembro  de 1903 e manteve-se até 1993. Uma longevidade mais aparente do que real, porque a partir de 1931 verifica-se apenas a edição de um ou dois números por ano, com poucas páginas, evidenciando o propósito exclusivo de manter a posse do título.
(...) Edição semanal, a  Ilustração Portuguesa tem na imagem a sua marca distintiva. O editorial de apresentação faz questão de vincar bem essa opção, sublinhando a importância do desenho que, «pelos tempos fora, reproduziu tudo». Entendida como um complemento d’ O Século, propunha-se utilizar essa linguagem universal para  dar a conhecer «o mais belo e o mais útil». A Ilustração Portuguesa seria o «álbum das grandes festas e dos casos triviais», na ideia de que essa informação seria de proveito «tanto aos homens de hoje como ás gerações vindouras»
(...) Entre os seus primeiros  desenhadores encontravam-se  Alberto Souza, Cândido, Carlos Pereira, Jorge Colaço; mas foi na segunda série, por via de colaboradores como  Almada Negreiros, Apeles Espanca, Bensaude,Bernardo Marques, Cottineli Telmo, Ferreira da Costa, Gaspar Teles, Jorge Barradas, Manuel Gustavo, Rocha Vieira, Start Carvalhais, que a Ilustração Portuguesa se fez catálogo de arte. O propósito  de informar por imagens  alcançou-se também com recurso à fotografia que, à rapidez de execução, acrescentava a nota da veracidade de tudo o que é captado pela lente de uma máquina, e o toque de modernidade. Num ápice, os desenhos são suplantados pelos clichés de Bobone, Camacho, João Correia dos Santos e V. Mello; e, iniciada a segunda série, de Augusto Teixeira, Benoliel, Delius, Félix, Frederico Braga, Garcez, Guedes d’Oliveira, João Magalhães Júnior,  Novaes, Photographia Sequeira & Roque, Salgado, Vasques, entre muitos outros; aos quais havia ainda que acrescentar as dezenas de amadores, de todo o país, que enviaram fotografias para a Ilustração Portuguesa, que as publicou, identificando os autores pelo nome e agradecendo a oferta; com igual ou maior interesse foram recebidas as fotos dos militares que participaram na I Grande Guerra. É um conjunto impressionante, não obstante a pequena dimensão de muitos registos e a sua fraca definição.  Foi certamente fundamental ou mesmo determinante para o sucesso da Ilustração Portuguesa. Não é difícil imaginar quão sedutora  terá sido,  mesmo entre os  iletrados, uma publicação que faz notícia do que acontece em todo o mundo, no país, isto é, nos grandes centros urbanos, mas também  nas vilas e aldeias  mais recônditas, oferecendo paisagens reconhecíveis, rostos familiares e até o  protagonismo de uma fotografia, um desenho ou uma história.
In, hemerotecadigital.cm-lisboa.pt


(Fotos copiadas de capas da Revista Ilustração Portugueza da Hemeroteca Digital da CML)


Os textos das fotos foram retirados das capas da revista Ilustração Portugueza