Mostrar mensagens com a etiqueta John Wayne. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta John Wayne. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 20 de julho de 2012

A rainha do technicolor

Maureen O'Hara
por
Manuel Cintra Ferreira

Coisas boas em jornais


Maureen O'Hara. Foto sem data encontrada em www.tumblr.com.

Segundo Howard Hawks, inspirando-se em Anita Loos, Os Homens Preferem as Loiras. Passava-se isto em 1953 e a loira era mesmo uma inspiração, Marilyn Monroe. Dois anos depois, Richard Sale, pondo a tónica em Jane Russell, acrescentava, também segundo a mesma escritora que, sim senhor, é verdade, mas... de facto... os Gentlemen Marry Brunettes, que a distribuição portuguesa, sem fazer a ligação (e tirar a «moral» de Loos) e querendo aproveitar-se do sucesso do filme anterior, baptizou, muito prosaicamente de Os Homens Preferem as Morenas. Aí estavam, portanto, nos títulos originais, as «casadoiras» e as «outras» (as tais «loiras»). Então, e as ruivas? Pois, as ruivas! Da fama de perigosas e ariscas não se livravam.
   Em termos cinéfilos, a fama tinha a sua razão de ser nalgumas ruivas que perturbavam a libido masculina nas salas escuras, destacando-se uma, de pêlo na venta, mangas arregaçadas e pronta para uma boa luta em pé de igualdade com qualquer macho: Maureen O’Hara. E geralmente esse macho era nem mais nem menos do que John Wayne. O par andou a medir forças ao longo de três filmes sob a batuta de mestre John Ford (Rio Grande, O Homem Tranquilo e A Águia Voa ao Sol), e mais dois de um mau discípulo, Andrew V. McLaglen (McLintock, que até é o melhor que o filho de Victor McLaglen realizou, e um breve encontro do par já «maduro» em Eu Julgava-o Morto Mr Jake!), com altos e baixos, passou pela separação e reconciliação em Rio Grande, onde os Sons of the Pionneers lhe fazem uma das mais belas serenatas que se ouviram na tela com a canção popular «Kathleen» (Oh Kathleen, My Kathleen!), e enfrentou-se no maior «corpo-a-corpo» da história do cinema, em OHomem Tranquilo («homérico!», como diria Barry Fitzgerald no filme, e quem o viu sabe ao que ele se refere), uma daquelas histórias que nos põem em estado de euforia, e que nos mostra o mais belo beijo cinematográfico que o próprio «Extra-Terrestre» (no filme de Spielberg) não resistiu a imitar. John Ford dirigiu a sua actriz favorita em mais dois filmes, dando-lhe galãs mais maleáveis e destinados à faceta «maternal» que as suas «fúrias» escondiam: Walter Pidgeon em O Vale Era Verde e Tyrone Power em Uma Vida Inteira.


Maureen O'Hara. Foto sem data encontrada em farm2.staticflickr.com.

Pois foi Maureen O’Hara a minha primeira paixão infanto-juvenil. Na altura eu estava naturalmente a leste das implicações do que atrás referi. Mais do que qualquer manifestação edipiana ou reflexo para a passividade, talvez se tenha tratado de um mero acaso: foi a primeira que se me fixou na retina e nas meninges, e logo num filme que salientava já aquelas características: O Terror dos Sete Mares. Feliz acaso, proporcionado por um costume dos velhos cinemas de bairro de Lisboa: o de por vezes exibirem em complemento (eram os tempos das sessões duplas), filmes «a pedido de várias famílias». O filme de Frank Borzage, já velhinho naquele tempo, e em cópia que deixava a desejar lá surgiu em complemento do filme que me levava ao cinema: A Gata Borralheira de Disney. O Terror dos Sete Mares fez-me nascer duas paixões: a referida ruiva e os filmes de piratas. Só mais tarde percebi que, afinal, as duas estavam ligadas. Pois os «sete mares» eram um segundo «habitat» para Maureen O’Hara, que já andara pelas mesmas andanças no magnífico O Pirata Negro e seria uma perfeita rainha de piratas em No Reino dos Corsários, enfrentando, de espada na mão, o campeão masculino Errol Flynn. Nestas andanças, de espada (Os Filhos dos 3 Mosqueteiros) ou pistola (No País dos Comanches, A Última Avançada) na mão, pelas planícies do Oeste, sobre o mar, ou envolvida nos véus transparentes das fantasias orientais (Sinbad, o Marinheiro, Bagdad, Chama da Arábia), surgia-nos pintada com a paleta mágica do Technicolor, num tempo em que cor rimava com esplendor, fazendo parte de um friso que ficou conhecido como as «rainhas do Technicolor», formado por ela, Yvonne De Carlo, Maria Montez, Virgínia Mayo, e outras. Mas rainha, rainha mesmo, só uma: Maureen O’Hara.
   E é assim que a recordo.

Manuel Cintra Ferreira em Expresso, 15 de Julho de 2006



Maureen O'Hara em Lady Godiva (1955) de Arthur Lubin. 
Foto encontrada em fx.worth1000.com.




 Maureen O'Hara, em cinco filmes de John Ford.


Maureen O'Hara, também fez este filme de Ray Milland (1956) e muitos mais claro.


(Cartazes dos filmes encontrados na net)



domingo, 15 de julho de 2012

Alfred Eisenstaedt


"O mais importante não é a câmara, mas sim o olhar."
Alfred Eisenstaedt



Dono de algumas das fotografias mais importantes da história, Alfred Eisenstaedt construiu uma carreira brilhante, que durou mais de 50 anos. Nascido em 6 de Dezembro de 1898 na antiga Prússia (actual Polónia), mudou-se para Berlim com apenas 8 anos, deixando a cidade somente após Hitler tomar o poder.

O olho de Alfred Eisenstaedt, pelo próprio. 1954.

Sua história com a fotografia começou aos 14 anos, quando ganhou, de seu tio, uma Eastman Kodak nº 3 de fole. Aos 18, foi para o exército alemão, combatendo na Primeira Grande Guerra (1918). Com sorte, foi o único sobrevivente de uma explosão de granada, que afectou suas pernas. Assim que se recuperou, voltou a fotografar. 
Por conta da ascensão do Nazismo na Alemanha, mudou-se para Nova Iorque, onde passou o resto de sua vida. Por um tempo, trabalhou como vendedor de cintos e botões. Com o dinheiro que economizava das vendas, investia em equipamentos. Alfred começou simples: o banheiro da sua casa se transformou num laboratório de revelação; vendeu sua primeira fotografia para o jornal local por 12 dólares. No auge dos seus 31 anos, conseguiu um emprego na Pacific and Atlantic Photos, que, mais tarde, seria a famosa agência Associated Press. 

Um marinheiro beija apaixonadamente uma enfermeira de uniforme, durante as comemorações do fim da guerra nas ruas de Nova York, em Times Square. 14 Agosto, 1945. Na segunda foto é o próprio Alfred Eisenstaedt, que beija uma mulher. São duas fotos de uma série tiradas no mesmo dia por Alfred Eisenstaedt. 


Com um estilo forte de fotografar, Alfred foi procurado por vários fotógrafos, entre eles Margaret Bourke-White e Henry Luce. Os dois convidaram Alfred para participar de um projecto anónimo. Seis meses depois, este projecto se tornou a grande revista LIFE, dentro da qual Alfred publicou mais de 2500 imagens e foi capa de 90 edições.
Alfred fotografou os estragos da Segunda Guerra no Japão, a pobreza na Itália e registou os mais importantes eventos políticos de sua época. Durante sua carreira, também fotografou muitas personalidades. Como qualquer fotógrafo, tinha sua modelo predilecta: Sofia Loren era a sua queridinha.

Sophia Loren, Marcello Mastroianni durante as filmagens de Matrimonio 
all'italiana (Matrimónio à Italiana, 1964) de Vittorio De Sica. Napoles, 1963.

Sophia Loren, Marcello Mastroianni e Vittorio De Sica, durante as filmagens de 
Matrimonio all'italiana (Matrimónio à Italiana, 1964) de Vittorio De Sica. Napoles, 1963.

Sophia Loren, Marcello Mastroianni e Vittorio De Sica, durante as filmagens de 
Matrimonio all'italiana (Matrimónio à Italiana, 1964) de Vittorio De Sica. Napoles, 1963.

Tudo que fotografava se tornava bem mais do que uma fotografia. Uma das suas maiores qualidades era justamente se tornar íntimo do assunto fotografado, conseguindo captar a essência de cada cena, tornando-a poderosa o bastante para jamais ser esquecida. Entre suas imagens mais famosas está o beijo na Times Square entre um marinheiro e uma enfermeira que comemoravam o fim da Segunda Guerra Mundial. Apesar do mito de o retrato não ser espontâneo, a imagem se tornou símbolo de paz mundial e um ícone da fotografia.

Atmosfera de Paris, prostituta trabalhando na rua. Paris, 1931. 
Mulher debaixo de candeeiro em Montmartre. Paris, 1963.


Com a vida feita em Nova Iorque, Alfred só regressou à Alemanha aos 81 anos, para participar de uma exposição em sua homenagem, que exibia registos do país nos anos 30. A fotografia foi sua companheira até os últimos dias de vida. Alfred morreu em 24 de Agosto de 1995, aos 95 anos. O legado deixado por esse grande artista da fotografia lhe faz eterno, um grande mestre. 

(Texto de Francine de Mattos em fotografeumaideia.com.br)


John Wayne e Robert Evans (produtor e responsável da Paramount), durante as 
filmagens de True Grit (A Velha Raposa, 1969) de Henry Hathaway. Hollywood, 1968.


 Homem de pé no meio da serração da Seattle Cedar Lumber Manufacturing. Seattle, 1939.
Idosa caminhando com dificuldade ao longo da rua, com casal de noivos ao fundo. Paris, 1963.


Padres franciscanos caminhando na Via Porta Perlicinin. Assisi, Italia, 1947. 
Padre faz esboços das estátuas danificadas da Abadia de Monte Cassino. Itália, 1947.


Pessoas andando através de um tunel. Zagreb, Croácia (na altura parte da Jugoslávia), 1948.
Alfred Eisenstaedt - Some No Captions- Some Portraits 1970'S.


Alfred Eisenstaedt sentado no colo de Tomojiro Sakata, um campeão 
ex-lutador de sumô e candidato do Partido Trabalhista do Japão, Tóquio, 1946.



(Fotos Alfred Eisenstaedt e LIFE Archive)




domingo, 8 de abril de 2012

O Beijo no Cinema


por 

Alves Costa

publicado no jornal  A Capital em 17-04-1971


Coisas boas em jornais

Esta é a primeira imagem sempre em movimento de um beijo. Foi seleccionado para preservação no National Film Registry. Cena de uma comédia de palco, "A viúva Jones", interpretado por May Irwin e John C. Rice. De acordo com o historiador de cinema Edison C. Musser, os actores encenaram o beijo para a câmara, a pedido do jornal New York World, e o filme resultante foi o mais popular filme Vitascope Edison em 1896. Filmado Abril de 1896, no Edison's Black Maria Studio. Embora Alves Costa no texto diga que foi em 1895. Foto encontrada em museucine.wordpress.com.


ENQUANTO os irmãos Lumière se preparavam para apresentar o seu cinematógrafo, já nos kinetoscópios de Edison podiam ver-se imagens reais em movimento. Edison não tinha conseguido encontrar um processo de projectar convenientemente os seus filmes sobre um grande écran. Nos kinetoscópios, o espectador espreitava por uma luneta para ver pequenos filmes de um minuto. A imagem exibida era muito pequena e mal iluminada, E os assuntos pouco variados: uma luta greco-romana, uma mulher a atirar ao alvo, um acrobata, uma dança de selvagens, habilidades de um malabarista, um fumador de ópio ou o revoltear de uma bailarina envolta em véus transparentes. Os kinetoscópios funcionavam como uma slot machine e eram postos, em número variável, à disposição do público, com outros aparelhos de diversão ou de jogo, em vastos recintos conhecidos pelo nome de Penny Arcades. Isto passava-se no fim do século XIX. Na mesma altura, fazia grande sucesso, num dos teatros da Broadway, um momento da comédia "A viúva Jones" em que os artistas May Irvin e John C. Rice davam um beijo em cena. Para renovar os assuntos habituais dos filmezinhos dos kinetoscópios, Raff e Gammon tiveram a ideia de filmar esse momento em grande plano. Os dois artistas foram fotografados a meio busto. Encostavam os rostos e Rice aflorava os seus grandes bigodes a um lado da boca de Mary Irvin. E era tudo. Nem um nem outro eram já muito novos. O penteado, o rosto gorducho e a opulência do busto de Mary; a bigodaça e os altos colarinhos engomados de John dão a esta cena — vista hoje — um misto de ridículo e de encanto na sua enternecedora ingenuidade. 

Greta Garbo e John Gilbert em O Demónio e a Carne (Flesh and the Devil, 1926) de Clarence Brown. Foto encontrada em mythicalmonkey.blogspot.pt. / Clark Gable e Vivian Leigh em E Tudo o Vento Levou (Gone With The Wind, 1939) de Victor Fleming. Foto encontrada em weheartit.com.


O beijo de Mary Irvin e John Rice (0 primeiro beijo do cinema) foi filmado em 1895. Enquanto vista nos kinetoscópios, a imagem três vezes repetida desse beijo era tão pequena e tão pouco nítida que não despertou um interesse por aí além. Mas quando, um ano mais tarde, o filme pode ser projectado num écran, onde as figuras apareciam com o triplo do tamanho natural, foi um escândalo! E uma revista de Chicago, The Chap Book, de 15 de junho de 1896, referia-se-lhe indignadamente nestes termos : «Devem lembrar-se de que, numa peça recente, A viuva Jones, «miss» Mary Irvin e um certo John C. Rice trocavam beijos em cena. Nenhum deles era fisicamente atraente e o espectáculo dessa pastagem (sic) recíproca nos lábios um do outro já era difícil de suportar. Ao natural era grosseiro. Mas nada de comparável com o efeito que produz esta cena ampliada para proporções gigantescas e repetida três vezes de seguida. É absolutamente repugnante. Tudo o que resta do encanto de «miss» Irvin desvanece-se. A sua actuação torna-se indecente e de uma desmedida grosseria. Tais factos pedem a intervenção da polícia.» 


Burt Lancaster e Deborah Kerr em Até à Eternidade (From Here to Eternity, 1953) de Fred Zinnemann. Foto encontrada em wonderrland.blogspot.pt. / Marilyn Monroe e Tommy Noonan em Os homens Preferem as Loiras (Gentlemen Prefer Blondes, 1953) de Howard Hawks. Foto encontrada em www.thisismarilyn.com.


Passaram os anos... e o beijo voltou  a aparecer, uma vez por outra, no écran. Mas, ainda durante muito tempo, o beijo, no cinema, foi casto, tímido, fugaz e quase sempre no  rosto, antes de se tornar fim obrigatório e indispensável dos filmes de Hollywood. Hoje, é coisa tão natural, tão vista e tão vulgar que já mal se lhe presta atenção. Mas sessenta anos atrás perturbava seriamente os impressionáveis espectadores de cinema... Quando, em 1910, apareceram os primeiros filmes que mostravam dois apaixonados beijando-se na boca, o escândalo que causaram não fói menor do que havia causado, na América, o cândido Beijo de Mary Irvin e John Rice destinado aos espectadores solitários dos kinetoscópios quinze anos antes! O crítico do International Film Zeitung, Félix Holden, escreveria, amarguradamente chocado : «O beijo transformou-se totalmente. Os heróis do cinema já não se contentam com beijar-se rapidamente como nos bons velhos tempos. Agora unem os lábios demoradamente, com volúpia, e a mulher reclina a cabeça para trás em pleno êxtase.»... Referia-se aos filmes dinamarqueses...



Este beijo não pode ser mostrado em foto, tem de se ver toda a cena que está logo no inicio. Ele é, o melhor beijo de todos os filmes que vi e foram muitos. John Wayne e Maureen O'Hara em O Homem Tranquilo (The Quiet Man, 1952) de John Ford.


É que  os dinamarqueses, ao criarem a vamp (e a primeira e mais famosa delas foi a grande artista dramática Asta Nielsen), introduziram, também, nos seus filmes — então com grande expansão na Europa-- os beijos longos e apaixona-dos. Conta Georges Sadoul, em Le cinéma devient un art, que «os beijos à dinamarquesa chegaram a chocar também a Imprensa parisiense na primeira década deste século e que, por causa deles, frequentemente achavam que as fitas da Nordisk eram lascivas ou escabrosas». Então e ali — ao contrário do que iria acontecer no cinema de Hollywood — o beijo não se aliava a um fim feliz. No reino da Dinamarca o fim , trágico era de regra. Um pouco antes dos anos vinte, o cinema italiano atingira o apogeu. Depois da vaga de filmes histéricos que iriam influenciar até o cinema americano (consta que Griffith teria estudado o filme Cabiria antes de se lançar na realização de Intolerância), os italianos voltaram-se para o presente e, por seu turno, trouxeram a diva para os seus dramas passionais. E tão famosas, como Asta Nielsen, foram as mulheres fatais do cinema transalpino. A Lyda Borelli, a Francesca Bertini, a Pina Menichelli, a Hesperia, a Maria Jacobini vieram, então, perturbar os espectadores de todo o mundo, com as suas atitudes coleantes, o ardor do seu olhar, o arrebatamento dos seus beijos. 


Marlon Brando e Anjanette Comer em The Appaloosa (1966) de Sidney J. Furie. Foto encontrada em classicmoviestills.com. / Audrey Hepburn e George Peppard em Boneca de Luxo (Breakfast at Tiffany's, 1961) de Blake Edwards. Foto encontrada em www.foolzfun.com.


Mas, nessa altura, já não causavam escândalo, provocavam uma desmedida admiração. «Depois de 1914 - escreveria Sadoul, na obra citada — o divismo tornou-se loucura no cinema italiano. Enquanto que o star-system especula com o sex-appeal ou a beleza americana, na medida em que o público paga, na Itália os financeiros e os duques arriscavam a sua fortuna pelo amor de uma diva, de uma donna muta, como chamavam, então, ás estrelas italianas. Estes novos barões de Nucingen investiram os seus milhões em sociedades de produção onde as suas amadas eram senhoras absolutas. Produtores e realizadores tornaram-se fiéis escravos do prestígio e da beleza dessas mulheres idolatradas. Um romantismo semifeudal envolvia de latino ardor cada uma dessas donnas mutas que, agitando os seus belos braços e sacudindo a sua luxuriante cabeleira, conduziam, no meio dos paroxismos da paixão, o cinema ita1iano para a decadência e a ruína.» 
Também em Portugal não se escapou ao fascínio das divas. Em 1917, o beijo das divas era igualmente, entre nós, motivo para arrebatamentos inflamados... e publicamente confessados, como se vai ver. Em 1 de Junho de 1917, Leopoldo O'Donnell, empresário-gerente do Cinema Olímpia, de Lisboa, promoveu uma matinée de arte de homenagem a Lyda Borelli, Pina Menichelli e Francesca Bertini, precedida de uma conferência. Deste acontecimento deu conta a «Cine-Revista», no seu n.° 4, nestes termos: «As grandes trágicas do cinema foi o tema escolhido pelo distinto poeta António Ferro para a sua conferência cinematográfica realizada no dia um do corrente, em matinée de arte no Salão Olímpia. Facultado gentilmente pelo seu autor, começamos hoje a publicar esse primoroso trabalho. (...) A iniciativa do sr. António Ferro abre, sem dúvida, um movimento intelectual valiosíssimo em volta do importante papel reservado à cinematografia em todos os ramos da actividade e do saber humanos.»


Paul Newman e Joanne Woodward em A New Kind of Love (1963) de Melville Shavelson. Foto encontrada em www.acertaincinema.com.


A conferência é muito longa, mas vale a pena. reproduzir os parágrafos finais que António Ferro dedica ao beijo das divas homenageadas «Quero marcar bem, num rápido confronto, o temperamento de cada uma das trágicas de que falei. Para fazer, perdoem-me o arrojo, achei uma solução. Surpreender a sua alma através do seu beijo. O beijo é a melodia da alma, a melhor maneira de ela respirar, como afirma Edmond Rostand... O beijo é a síntese de todos os sentimentos, o sinete do amor. Assim, o beijo de Francesca Bertini é o beijo desvairado, o beijo que soluça, o beijo que se entrega, o beijo que floresce, o beijo doido, virgem, que apenas quer ser beijo. O beijo de Pina Menichelli é o beijo maldoso, o beijo que faz doer, que faz dos seus lábios punhais e dos nossos ferida, o beijo Judas, beijo fatídico que faz da boca taça onde ele é veneno que nos mata. O beijo de Lyda Borelli é, porém, o mais belo de todos, o mais cristão, o mais estilizado, jóia de preço que eu quisera ver nos meus lábios... É um beijo que, pelo burilado da forma, lembra um soneto de Verlaine. Depois deste delírio, António Ferro termina, sem dúvida sob entusiásticos aplausos da selecta assistência, com estas palavras: «Numa última síntese, o beijo de Francesca Bertini é o beijo humano, é o beijo mulher. O beijo de Pina Menichelli é o beijo diabólico, o beijo Satanaz. E, finalmente, o beijo de Lyda Borelli é o beijo divino, o beijo arte, o beijo Deus.» Era assim emocional e impressionável, como o reflectem estas palavras de António Ferro, como o reflectem palavras semelhantes publicadas em revistas da época, o público dos cinemas em 1917. O beijo das mulheres fatais, das grandes amorosas, deixara de ser escândalo. Era motivo de uma geral e alienadora admiração... tão ardente como risível. O tempo voltou a passar. O cinema evoluiu... e o público também. Hoje, já nenhuma vedeta do écran poderá gabar-se de provocar tais arrebatamentos. E o beijo, no cinema, tomado na sua dimensão natural, tornou-se moeda corrente... e desvalorizada.

Texto de Alves Costa, publicado no jornal  A Capital em 17-04-1971


Neve Campbell e Denise Richards em Ligações Selvagens (Wild Things, 1998) de John McNaughton. Foto encontrada em cinemaepoesia-felipe.blogspot.pt. / Javier Beltran e Robert Pattison em Little Ashes (2008) de Paul Morrison. Foto encontrada em cinemaepoesia-felipe.blogspot.pt.


Ewan Mcgregor e Jim Carrey em Eu Amo-te Phillip Morris em (I Love You Phillip Morris, 2009) de Glenn Ficarra e John Requa. Foto encontrada em cinemaepoesia-felipe.blogspot.pt. / Sarah Michelle Geller e Selma Blair em Estranhas Ligações (Cruel Intentions, 1999) de Roger Kumble. Foto encontrada em www.autostraddle.com




quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Sofia Loren - Fotos

Dedicadas ao Charmoso


Sofia Loren numa festa sendo cumprimentada por Peter Lorre. EUA 1957. Ralph Crane.

Sofia Loren sentada ao colo de Vittorio de Sica durante as filmagens de Matrimonio all'italiana (Casamento à Italiana). Italia 1964 Alfred Eisenstaedt e numa cena de Legend of the Lost de Henry Hathaway (A Cidade Perdida). Italia 1957. Loomis Dean.


Sofia Loren sendo dirigida por Charles Chaplin em uma cena do filme A Countess from Hong Kong (A Condessa de Hong Kong). Londres 1967.  Alfred Eisenstaedt.

Sofia Loren jogando ás cartas com o fotógrafo Pierluigi enquanto os fãs espreitam, durante um intervalo das filmagens de Madame Sans-Gêne de Christian-Jaque. Italia 1961. Alfred Eisenstaedt.

Sofia Loren com Marcello Mastroianni numa cena de Matrimonio all'italiana de Vittorio de Sica (Casamento à Italiana). 1964. Alfred Eisenstaedt e numa cena com John Wayne em Legend of the Lost de Henry Hathaway (A Cidade Perdida). Italia 1957. Loomis Dean.


Sofia Loren na Cinecittá em Roma durante as filmagens de Legend of the Lost de Henry Hathaway (A Cidade Perdida). Italia 1957. Loomis Dean. 

(Fotos LIFE Archive)


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Grandes Realizadores 2

Uns muito Bons, Outros Assim Assim


 Jerry Lewis fazendo caretas a Norman Taurog durante as 
filmagens de The Stooge, (O Estoira-Vergas). 1951. Allan Grant. 

Preston Sturges (no chão) dirigindo os actores Harold Lloyd e Frances Ramsden numa cena 
do filme, The Sin of Harold Diddlebock, (Os Piores Anos da Sua Vida). 1947. Bob Landry.

Sergei Bondarchuk durante as filmagens de War & Peace (Guerra e Paz). 1962. Stan Wayman.

Sam Peckinpah durante as filmagens do filme Major Dundee no Mexico. 1964. Bill Ray.

Richard Fleischer, em traje de mergulho, durante as filmagens 
de As 20.000 Léguas Submarinas. 1954. Peter Stackpole.

Richard Brooks e a Actriz Maria Schell durante as filmagens 
de Os Irmãos Karamazov. 1958. Leonard Mccombe.

Jason Robards e Maria Schell ensaiando uma cena para o filme para TV: For Whom the Bells Toll, 
(Por Quem Os Sinos Dobram) sob a direção de John Frakenheimer (deitado no chão). 1959. ??

Anthony Mann dirigindo Mia Farrow no filme, A Dandy in Aspic. 1968. Bill Eppridge.

Anthony Perkins, Shopia Loren, Burl Ives e o realizador Delbert Man no ensaio 
de leitura para o filme Desire Under The Elms (Desejo). 1958. Ralph Crane.

Howard Hawks dirigindo Angie Dickinson e John Wayne em Rio Bravo. 1959. AllanGrant.


(foto da LIFE Archive)