Mostrar mensagens com a etiqueta Bairro da Quinta da Calçada. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bairro da Quinta da Calçada. Mostrar todas as mensagens

sábado, 16 de junho de 2012

Em busca da Rosário

Dão-se Alvíssaras
ou
Entradas para o Céu



A Rosário e o marido (creio que o nome era Pedro mas não tenho a certeza), ampliados para que alguém os reconheça. Mais abaixo estão as fotos completas. Cliquem duas vezes sobre as fotos para ampliar. 


Já se passaram mais de trinta anos, que não vejo a Rosário e gostaria de falar com ela. Se, alguém a conhecer ou souber dela, deixe aqui uma mensagem. A Rosário, trabalhou no Bairro da Quinta da Calçada no projecto SAAL (Serviço de Apoio Ambulatório Local), como assistente social, integrada na equipa do Arquitecto Hestnes Ferreira e foi uma pessoa determinante para vários de nós crescermos em todos os sentidos. Naquela altura, a seguir ao 25 de Abril não sabíamos bem o que fazer, mas queríamos fazer coisas e ela deu-nos um grande apoio para começarmos o trabalho cultural e politico no nosso bairro. Esta vontade de ver a Rosário, veio de ter ampliado fotos que tenho em casa e a certa altura descobri-a numa delas (uma única) e também uma do marido. Vieram muitas recordações à cabeça, algumas baralhadas mas recordava bem a Rosário e com muito carinho. Cheguei a ir a casa dela que ficava em Algés, creio que na Calçada do Rio, mas já passei por lá e não me recordo do prédio. Ainda pensei em entrar em contacto com o atelier do Arquitecto Hestnes Ferreira mas creio que não seria boa ideia. Pode ser que desta maneira resulte e haja alguém que a conheça e me dê noticias dela, até porque tenho a teoria de que aqui em Portugal, por ser tão pequenino, somos uma espécie de "primos" uns dos outros.




A Rosário no meio do povo do Bairro da Quinta da Calçada, numa sessão de A Visita do Carocho em 1977. Cliquem duas vezes sobre as fotos para ampliar.   

O marido da Rosário numa Ligação Cidade/Campo no Bairro da Quinta da Calçada em 1976. A Rosário devia estar a tirar a foto. Cliquem duas vezes sobre as fotos para ampliar. 






sábado, 2 de junho de 2012

Os Bairros de Lusalite


Interior duma casa, no Bairro da Boavista, 1940.

Algumas das fotos são do Bairro da Boavista em 1940, que foi inaugurado quatro meses depois do nosso, em 13 Junho de 1939. Estão aqui porque das duas primeiras não consegui arranjar iguais, mas do Bairro da Quinta da Calçada; são fotos do interior de uma casa, do dispensário e a terceira e quarta é para verem como era quase tudo igualzinho ao nosso bairro. 
Lembro-me ainda muito bem daquele tipo de armário e do guarda-pratos, que eram iguais na Quinta da Calçada e que no caso da minha mãe, duraram muitos anos; das cadeiras e das mesas não me recordo mas deviam ser iguais. Isto era a chamada sala de jantar, à direita entre o guarda-pratos ficavam os quartos e do local onde foi tirada a foto ficava a cozinha e quarto de banho. Repare-se no pormenor da lâmpada que era de 25w (era a única luz na casa), as outras divisões não tinham luz (só depois do 25 de Abril tivemos iluminação completa) e esta tinha de ser apagada às 10 horas da noite sob pena de multa. 

Dispensário e consultório médico no Bairro da Boavista,  1940. Domingos Alvão.

Foto do interior do dispensário médico que ficava no Infantário, que era o edifício à esquerda da Igreja e também igual ao da Quinta da Calçada. A minha mãe trabalhou durante uns tempos no infantário e contava-me algumas coisas de lá, aliás, manteve contacto com algumas das senhoras que lá trabalhavam; a Dona Mariazinha, a Dona Elisa, a Dona Irene. Eu, não fiquei com nenhuma recordação do infantário, tirando brincar aos médicos e enfermeiras nas traseiras. No caso da Quinta da Calçada, havia em frente ao Centro Social (mais tarde sede do Juventude União Clube) uma casa que era utilizada como maternidade e que foi onde eu nasci. A Ti Virgínia e a mãe do Armindo (Bába), disseram-me várias vezes que tinham ajudado a transportar a minha mãe e a mim numa padiola até minha casa.

Bairro da Quinta da Calçada; Centro Social, Igreja, Infantário, 1940. 

Bairro da Boavista; Centro Social, Igreja, Infantário, 1940. Domingos Alvão.

Bairro da Boavista, Inaugurado a 13 Junho de 1939, vista geral, 1940. Domingos Alvão.

O Centro Social era o local onde havia uma espécie de ATL da altura, onde as miúdas (principalmente) iam depois de saírem da escola. A minha irmã Isaura recorda-se: "No meu bairro havia uma escola para rapazes e outra para raparigas; Um Centro Social onde tínhamos actividades (ATL), depois das aulas onde aprendíamos a fazer renda, croché, tricô, a bordar, etc. A monitora era a assistente social Dona Elisa. Durante o tempo que andei na escola as aulas eram só de manhã, almoçávamos na escola e depois íamos para o Centro Social, onde ficávamos (as que queriam) até mais ou menos às cinco da tarde a fazer trabalhos manuais ou a ensaiar qualquer peça de teatro para apresentarmos. naquele tempo não sabíamos o que nos faltava porque não tínhamos conhecimento do que existia"


A Igreja já se sabe para o que serve, (quem quer que lhe faça bom proveito) tanto a católica como as outras. Não tenho grandes recordações da Igreja, embora a tenha frequentado algumas vezes (até me obrigaram a fazer a primeira comunhão), a certa altura deixei de lá ir (ia só à missa do galo, por causa das miúdas), lembro-me do sacristão, coitado; o que a gente gozava com ele. Tenho uma vaga memória de umas procissões que havia lá no bairro (acabaram quando era muito miúdo  e anos depois, das tardes e das noites de batota encostados às paredes da igreja; bingo, montinho, pedida, valia tudo menos tirar olhos.

O Infantário era destas três unidades a mais útil às mães e pais que tinham de trabalhar e não tinham quem olhasse pelos filhos. As Mães deixavam os seus bebés, “de borla”; e existia um posto médico, que se chamava na altura dispensário e creio que não tinha médico mas sim enfermeira ou alguém com conhecimentos médicos; existiam também várias “assistentes sociais” para auxílio material e moral aos mais necessitados. Tudo isto (Igreja, Centro Social, Infantário) ligado com o Fiscal do bairro e a esquadra da policia. Mais tarde, construíram-se mais dois bairros de lusalite: o Bairro das Furnas nos anos 40 e o Bairro Padre Cruz nos anos 60, como podem ver pelas fotos o tipo de lusalite era diferente.

O Bairro das Furnas
Inaugurado a 28 Maio de 1946

 Construção do Bairro das Furnas. 1945. Eduardo Portugal.

A Rua das Nogueiras no Bairro das Furnas. 1961. Artur Goulart.

O Bairro Padre Cruz
Inaugurado em 1962 ?

 A Rua do Rio Alviela no Bairro Padre Cruz. 1962. Artur Inácio Bastos.

Inauguração da Carreira de Autocarros entre a Praça dos 
Restauradores e o Bairro Padre Cruz, 1963. Armando Serôdio.


Curiosidades

Excerto de relatório do presidente da Câmara de Lisboa em 1940. Refere-se à construção do Bairro da Boavista, igual ao da Quinta da Calçada com alguns melhoramentos e a edifícios na Quinta da Calçada, que só foram acabados em 1940, caso das escolas e igreja. Clique para poder ler. 

Excerto de relatório de um serviço da CML em 1940.

Excerto de relatório do comandante da policia municipal de Lisboa em 1940 . Tem a curiosidade de o chefe da policia chamar ao Bairro das Minhocas; Bairro da Bélgica ou Bairro do Bélgica. Talvez tivesse os dois nomes e o nome Bélgica, talvez fosse por causa do cinema Bélgica que já existia desde 1928.

Excerto de relatório dos serviços de finanças da CML. Refere-se às rendas da altura. 



Palavras de um deputado em 1940

Seja-me permitido citar o Bairro da Quinta da Calçada, para onde, por iniciativa do Governo e da Câmara Municipal de Lisboa, foram transferidos os antigos moradores do «Bairro da Lata». (Bairro das Minhocas)
Toda aquela gente – que se dizia indomável e revolucionária, a ponto de nem a polícia ousar penetrar nos seus domínios – aparece hoje, a menos de um ano de convívio com a assistência social, como a melhor gente do mundo. À parte um ou outro caso mais rebelde, ninguém que visite o Bairro da Quinta da Calçada dirá estar em frente de uma «raça» estranha que ainda há pouco era considerada extremamente perigosa para a paz social.
Esta obra de regeneração completa de tantas centenas de famílias criminosamente votadas até há pouco ao mais absoluto desprezo e abandono é fruto da dedicação da Obra das Mães pela Educação Nacional, da Junta Central da Legião Portuguesa, que mantém um pequeno subsídio mensal em favor do Bairro e confiou a uma comissão da sua confiança o encargo de dirigir a assistência social, e do apoio da Câmara Municipal de Lisboa e do Sr. Ministro das Obras Públicas e Comunicações.
Mais uma vez se provou, pela experiência de poucos meses, que o povo português é fundamentalmente bom e generoso e só se torna mau quando, desprezado e abandonado, o tratam como se para ele não houvesse o direito à vida e à alegria de viver.
É por isso que, consciente desta realidade, subi a esta tribuna para trazer o meu incondicional apoio ao decreto-lei n.º 30:135 e o meu preito de homenagem ao Sr. Ministro da Educação Nacional pelo largo alcance da medida de que tomou a iniciativa com a publicação do referido decreto.


ABEL VARZIM da CUNHA e SILVA,  Deputado à ASSEMBLEIA NACIONAL
SESSÃO N.º 70 da Assembleia Nacional, Em 8 de Fevereiro de 1940



(As fotos são do Arquivo Fotográfico da CML, os excertos de
 relatório foram copiados de publicações da Hemeroteca da CML)




sábado, 24 de março de 2012

Os apanha-bolas de ténis do CIF


Tinha mais ou menos este tamanho de gente (aqui estou com 7 anos com bom aspecto porque era o casamento da minha irmã Emília em 1961), quando apanhei bolas de ténis para o senhor que está na foto ao lado. Chama-se João Lagos, nasceu em 1944, portanto tem mais 10 anos que eu. Quando apanhei bolas para ele (deve ter sido por volta de 1963/64) no CIF, tinha ele 18/19 anos e eu 9/10 anos. Foto de António Pedro Ferreira do jornal Expresso. Na foto da direita está Roger Federer num campo de terra batida rodeado de apanha-bolas com equipamento próprio e até bonés e sapatos de ténis. No CIF por volta de 1963/64 não tínhamos nada disto, excepto o campo que era parecido e até as bolas eram de outra cor (brancas). Hoje até cursos existem para apanha-bolas; mudam-se os tempos, como dizia o Camões. Foto encontrada em www.tenis.pt


O meu primeiro "trabalho" na vida foi a apanhar bolas de ténis no CIF, eu e outros miúdos da Quinta da Calçada e também de Telheiras. Devia ter uns oito anos quando comecei e deve ter durado até quando saí da escola que foi aos 10 (isto em 1964). O CIF era e é a sigla de Clube Internacional de Futebol e as suas instalações eram no fim do Campo Grande, começavam ao lado da Sanzala, onde mais tarde se construiu o bingo do Sporting e ia até á azinhaga dos Ameixiais (nem sabia que se chamava assim), que é aquela que vem do antigo Canil até Telheiras e que era o que separava o CIF do colégio Alemão, e ainda pela Segunda Circular e pela estrada de Telheiras a norte. A entrada principal era por trás da Sanzala e ficava perto dos portões do antigo campo de futebol do Benfica. Tinha ainda outra entrada em Telheiras Velha e outra de frente para a segunda circular e que era por onde nós entrávamos quando iamos apanhar bolas ou então saltávamos o muro.


Noticias sobre o CIF em 1968 e 1969 e que dão para ter uma ideia do que era esse clube; na noticia de 1969 já se anuncia a saida do Campo Grande e a ida para o Monsanto onde ainda estão, mais o emblema do CIF encontrado na net. Clique para poder ler.


O CIF tinha vários campos de ténis (uns seis se bem me lembro), um deles o nº 1 tinha uma bancada com uma parte coberta, tinha um campo de futebol: aqui vi várias vezes antigas glórias do Benfica e Sporting que jogavam juntos numa equipa chamada SOV; tinha um olival (nós chamávamos-lhe assim) enorme, cheio de árvores de vários tipos e de vegetação densa. Das coisas que recordo bem era que além de apanhar as bolas, também as tínhamos de as ir procurar ao olival quando elas saiam fora do campo (é que havia cada nabo a jogar), o que fazia às vezes a gente dizer que não as encontrava para eles se chatearem e irem embora mais cedo e nós podermos ir para casa. Tínhamos de passar o rodo para alisar o campo, varrer e pintar as linhas, montar a rede (ajudar), regar, etc. Lembro ainda de um dos jogadores, um ricalhaço chamado (?) Neto que tinha um mau perder danado e que quando perdia uma jogada mandava boladas com força nos apanha bolas.


Muro do CIF de frente para a segunda circular e que era por onde nós entrávamos quando íamos apanhar bolas.  Ao fundo é o final do Campo Grande e o edifício grande á direita é o antigo Colégio de São Vicente de Paulo onde em miúdo ia todos os anos á praia em excursões organizadas por umas senhoras religiosas de lá. O edifício que se vê através do portão era as traseiras dos balneários, bar e escritórios e nesse espaço das traseiras, foi construído a certa altura um campo de mini-ténis (creio que era só para os apanha-bolas) que era jogado com umas raquetes de madeira a imitar as de ténis a sério.


Foi ali que dei as minhas primeiras fumaças em cigarros e charutos e também em bebidas de vários géneros que as pessoas que iam lá jogar (para nós era tudo gente rica), ás vezes deixavam por lá á mão de semear. Havia um encarregado que creio que se chamava Manuel (que vivia lá) e que era mau como as cobras e que tinha um cão também muito mau que ele só dominava á pancada com um pau. Este Manuel mandou-me embora umas duas ou três vezes e lá tinha de ir a minha mãe Maria dos Anjos pedir por favor para eu voltar já que os tostões que eu trazia para casa faziam muita falta.


Campo de futebol do CIF em meados dos anos 60.  Era aqui que se realizava um campeonato amador?, onde vi jogar as antigas estrelas do Benfica e do Sporting numa equipa chamada SOV. É pena mas não consegui nenhuma foto dos campos de ténis, nem informações sobre o SOV.


Havia também o senhor Armando que era uma espécie de faz tudo mas era um homem razoável e não nos causava problemas. O dia de receber era á sexta feira á noite (pelo menos no inverno) pelas 19/20h, e o que recebíamos tinha a ver com os jogos que fazíamos apanhando bolas e que eram contados á semana, não me recordo bem mas devia ser uma coisa entre 5 ou 10 escudos por semana, talvez um pouco mais e antes de regressarmos a casa íamos a uma taberna de Telheiras comprar alguma coisa doce ou bonecos da bola com esse dinheiro, era a maneira de ficarmos com alguma coisa para nós, coisas de putos.


Fotos das instalações (balneários) do campo de futebol do CIF, acabadinhas de construir em meados dos anos 50.


Nesse tempo a minha escola primária (que foi a de Telheiras e não a da Quinta da Calçada) só tinha horários de manhã ou de tarde (não faço ideia do porquê) e isso fazia com que eu fizesse muitos jogos de ténis, daqueles que os jogadores marcavam horário e pediam apanha bolas. Um dia, calhou-me apanhar bolas logo de manhãzinha para o João Lagos, que veio a ser o maior jogador de ténis de sempre em Portugal (é o que dizem). Nessa altura ele devia ter uns 18/19 anos e o parceiro não veio; então ele disse para mim "pega numa raquete e manda-me umas bolas", que era para poder "puxar". A certa altura "puxou" tanto e com tanta força que me arrancou a raquete das mãos e mandou-a contra a rede do fundo, o que me valeu uns gritos de descompostura, mas geralmente era uma pessoa simpática. Nessa altura o João Lagos estava a despontar no ténis como a grande promessa, foi tricampeão nacional de ténis (1965, 1966 e 1967), (quer isto dizer que quando deixei de apanhar bolas ele foi logo a a seguir campeão por três vezes), e é sportinguista (o que é pena). O campeão naquela altura chamava-se (creio?) Vaz Pinto mas que me lembre não ia ao CIF (passados tantos anos posso estar a baralhar as recordações).


Azinhaga do Ameixiais, parte de Telheiras de que já não existe vestígios, pouco tempo depois de ter sido cortada pela construção da segunda circular. À esquerda ficava e fica o colégio Alemão que tinham começado a construir por esta altura, a parte da árvores á direita eram terrenos do CIF, junto do seu campo de futebol. Foto de 1961.


Azinhaga do Ameixiais, parte do hipódromo, tiradas mais ou menos do mesmo local com 50 anos de diferença (1961 e 2009). Na foto actual em que se vê uns vestígios da antiga azinhaga; começa onde estão os caniços á direita e separa o hipódromo dos campos do CDUL e vai até á entrada principal do hipódromo e creio que já não dá passagem para nada. Foto a cores feita com o google view.



Das coisas boas que fizeram no CIF foi construírem por detrás dos balneários do ténis um campo de mini-ténis, que se jogava com umas raquetes de madeira. Aqui deixavam jogar os apanha bolas quando não havia jogos. Para acabar vou contar uma "aventura" onde estive envolvido e que deu brado durante anos, que foi o "assalto" que um bando de putos entre os 8 e os 12 anos (mais coisa menos coisa) anos fez ás instalações da Sanzala. A Sanzala era um Night-Club e  restaurante só para gente fina e cuja construção era uma cubata enorme, ora a Sanzala, tinha um galinheiro fabuloso com galinhas, patos, etc e até faisões. Este galinheiro fazia paredes meias com o olival do CIF e só uma rede os separava. e nós fomos aos poucos arrebentado a rede que era grossa e nós uns putos, e um dia fizemos o "assalto".


Fotos de 1965, vista geral e entrada da Sanzala que tinha a forma de uma cubata enorme.


Já não me lembro do que surripiámos nem de como foi que aquilo se iniciou, o mais certo foi algum dos mais velhos dar a ideia e os outros foram atrás, mas sei que tirámos muita coisa (galinhas e patos, etc) e levámos para casa. Não sei como eles descobriram (devem ter visto o buraco na rede e deduzido que os apanha bolas estavam metidos nisso) ou então foi quando chegámos á Quinta da Calçada, aquilo espalhou-se e como ainda havia posto da policia a certa altura estávamos todos de cana. Não me recordo de mais pormenores a não ser de só ter saído do posto lá para as oito da noite quando os meus pais chegaram do trabalho e tiveram de ir pedir dinheiro emprestado para pagarem a multa, que foi bastante. Ah, e também da tarei que levei.


Noticia em A Capital sobre a mudança próxima do CIF, de 
Telheiras/Campo Grande para o Monsanto em Outubro 1971.

Planta das novas instalações do CIF em Monsanto. 1971. A Capital.


(fotos do Arquivo Fotográfico da CML)



sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Duas das minhas Manas


As minhas irmãs Helena e Isaura na creche do Bairro da Quinta da Calçada.

As minhas irmãs na colónia de férias dos Cabos Ávila.

As minhas irmãs Isaura e  Helena .




sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O Eng. Duarte Pacheco e a Quinta da Calçada

Mais noticias sobre o Bairro da Quinta da Calçada em jornais


Dois dias depois da inauguração da Quinta da Calçada, o Eng. Duarte Pacheco voltou ao bairro para cumprimentar os técnicos e os empreiteiros e ver como iam os trabalhos. O homem não parava quieto, vivia para o trabalho e trabalhava a 100 á hora. Dizem que era costume ele trabalhar 16 horas por dia.

 Noticias nos jornais, O Século e A Voz.

  Noticias nos jornais, Diário de Noticias e Diário da Manhã.

 Mapa das obras de Duarte Pacheco em Lisboa nos anos 30 e 40, o nº 29 é a Quinta da Calçada.


Sobre o Eng. Duarte Pacheco


«Duarte Pacheco, nascido em Loulé no virar do século (1899), veio para Lisboa aos dezassete anos atraído pela fama do ensino da Matemática de uma jovem Escola. Formado pelo IST em 1923, quatro anos depois, em 1927, o Conselho Escolar determinava por unanimidade a sua nomeação como Director do Instituto Superior Técnico.
Duarte Pacheco operou uma transformação profunda do País. Durante os anos que presidiu ao Ministério das Obras Públicas e Comunicações e à Câmara Municipal de Lisboa, planificou e executou as obras que trouxeram Lisboa e Portugal para o século XX. A obra de Duarte Pacheco foi possível num espaço tão curto de tempo devido à sua capacidade de trabalho, ao rigor e ao método que imprimiu ao seu trabalho e ao funcionamento do Ministério e dos organismos que criou e controlou. Dotado de um carácter inabalável, imbuído da ética republicana que regeu toda a sua carreira política, com uma vontade forte e uma ousadia visionária, Duarte Pacheco revolucionou Portugal nas mais diversas vertentes, obras públicas, transportes, comunicações, solidariedade social, ensino e cultura. Se a contemporização do ministro com o regime é polémica, a sua capacidade de fazer e fazer bem nunca estiveram em dúvida.»
(In, 100.ist.utl.pt/momentos/duarte-pacheco/)


O estado em que ficou a viatura do Eng. Duarte Pacheco. Foto da net.


«Duarte José Pacheco era um homem do regime salazarista, mas era também uma espécie de super ministro com uma energia sem fim. Desde a mata de Monsanto, à auto estrada Lisboa-Porto, aos bairros sociais e um sem número de outras obras, deixou marcas para a posteridade que muitos hoje ainda utilizam. Numa manhã de Novembro de 1943, perto de Vendas Novas, a caminho de uma reunião do Conselho de Ministros, o carro onde seguia despista-se e embate num sobreiro. Os cintos de segurança não tinham sido ainda inventados. Não escapou e deixa este mundo aos 43 anos.»
(texto e foto em, socialissimo.blogspot.com)





sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A inauguração da Quinta da Calçada em 1939

A inauguração do Bairro da Quinta 

da Calçada em 05 de Fevereiro de 1939


Andei meses a tentar saber qual a data da inauguração do Bairro da Quinta da Calçada, porque se havia fotos tinha de haver um dia da inauguração, e no sábado depois de várias horas a consultar documentos antigos, lá consegui saber um bocado ao acaso. A data foi dia 05 de Fevereiro de 1939. Agora só falta saber a data certa em que acabou para ficarmos a saber quanto tempo durou o bairro onde muitos de nós nascemos e crescemos, para o bem e para o mal. Pelas minhas contas o nosso bairro teve quase 60 anos, já que acabou nos anos 90 mas não sei em que ano; pode ser que algum de vós saiba. Não esqueçam: para lerem as palavras, ou verem as imagens maiores cliquem sobre a imagem.



Salazar e o Eng. Duarte Pacheco á conversa no Bairro da Quinta da Calçada em 05 de Fevereiro de 1939.



Estava a consultar o documento da esquerda no domingo passado, que se chama: Anais do Município de Lisboa 1938-1964, onde retirei esta parte de um relatório de 1939 mas, referente ao ano de 1938, do presidente da câmara da altura que se refere ao Bairro das Minhocas e á Quinta da Calçada, onde se pode constatar que as primeiras casas foram feitas em 1938. Depois resolvi continuar á procura e já no fim do documentos encontro umas páginas chamadas efemérides, onde a certa altura encontro uma referencia á inauguração da Quinta da Calçada com o dia e uma breve discrição, (imagem da direita). Ora sabendo a data podemos ir á procura de noticias em jornais antigos, foi o que fiz, alguns consultei na net e encontrei a noticia do Diário de Lisboa, mas lembrei-me de consultar um serviço da câmara, chamado Hemeroteca e que tem jornais antigos que podemos consultar e comprar as partes que nos interessam. Pedi á Hemeroteca para procurar todas as noticias referentes á inauguração e responderam que tinham um monte de noticias, comprei todas (ficou-me por 17 euros, que se lixe, antes aí que na farmácia), nem tive que lá ir, tratei tudo por mail. Hoje vou colocar duas noticias dos jornais mais importantes da época, depois irei colocando as outras.


Noticias no dia seguinte á inauguração em dois dos jornais mais importantes da época, Diário de Noticias e jornal O Século.


Lanche distribuido ás crianças da Quinta da Calçada, no dia da inauguração em 05 de Fevereiro de 1939.



(fotos Arquivo Fotográfico da CML)